segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Respeitem-se!

Olá!

Gosto que se diga (e que se escreva) o que se pensa. Que isso fique claro! Como deve ser clara a ntenção das conversas. Só um covarde se esconde por trás de discursos difusos e expressões do género "para bom entendedor, meia palavra basta". Deve praticar-se a frontalidade, a sinceridade e a maturidade que se defende acérrima e publicamente!

Penso que me faço entender: sejam coerentes com o que dizem e escrevem. Com a possibilidade de falar (ou escrever) para muita gente vem a RESPONSABILIDADE de servir de exemplo às coisas que apregoamos. Se assim não for, tornamo-nos birrentos, infantis e, pior, irresponsáveis.

Respeitem-se, respeitem os vossos pares e, acima de tudo, respeitem o vosso Público!

Beijos & Abraços,

MP



Location:Funchal

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Os Naturais

Olá Amiguinhos.

Se em todas as profissões há quem trabalhe bem e quem trabalhe (para ser simpático) menos bem, os factores que determinam esta diferença de atitude (ou postura) são comuns a quase todas as áreas. E nas áreas artísticas nota-se mais porque é tudo muito mais visceral, tudo muito mais "ligado à terra". Tenham em atenção que falo de artistas e não técnicos de música, escultura, pintura, cinema, representação, etc.

Na nossa vida deparamo-nos com situações que nos levam a comentar "este não nasceu para isto ou para aquilo" ou "vê-se mesmo que ela nasceu para isto". Semânticas e maldadezinhas à parte, esta coisa do "nascer para" existe mesmo. Gosto de chamar à malta que nasceu para fosse o que fosse "Os Naturais". ATENÇÃO: não são os "especiais" nem "os melhores que os outros". São apenas... os naturais.

Ser natural significa que a aptidão para esta ou aquela área, tarefa ou conjunto de tarefas, lhe está no sangue. Nasceu com a pessoa. Ela tem jeito ou queda para aquilo.

Perguntam-me vocês: qual é a vantagem de ser um natural? À partida... Um pequenino avanço sobre os normais que têm de estudar e praticar TUDO o que fazem na vida. De resto, mais nada! Podem ter a inteligência relativa de ir fazendo uma gestão da sua vida profissional com base naquilo que Deus (ou a genética) lhes deu de presente... Ou podem ter a inteligência extrema de aprimorar o dom natural que já têm: através de estudo, prática, vivências e direccionando a sua atenção para melhorar todos os dias... Preocupando-se sempre em não vender a alma... Mas isto já dava assunto para mais 5000 caracteres.

E desvantagens? Bom, tambem há! A naturalidade vem normalmente acompanhada de alguma disfuncionalidade a outros níveis. Que, ou é acompanhada, percebida, acolhida e aceite por quem está oor perto, ou então... Haverá alturas em que o horizonte é negro! A pior desvantagem ainda é o escrutínio constante de que os naturais são alvo! Ou porque não tiveram que queimar pestanas para saberem fazer tudo o que fazem, ou porque para eles é ligeiramente mais fácil... Ou pura e simplesmente porque há-de sempre haver normais que dizem "Deus dá nozes a quem não tem dentes".

E permitam-me esclarecer: a diferença entre um natural desleixado e um normal aplicado é enorme e visível. Mas a diferença entre um natural e um normal igualmente aplicados é muito ténue, não são todos que descobrem e depende do que se está à procura. Mas está lá. E e perceptível tanto a um como a outro.

Para mim a situação ideal é aquela que junta os naturais que aprimoram o dom que receberam com os normais que desenvolveram a técnica, praticaram-na e evoluiram de tal forma que aquilo para eles se tornou... Natural.

Ser natural não desculpa mediocridade. Mas merece pelos menos o mesmo respeito que se tem por todas as outras pessoas do Mundo!

Beijos & Abraços,

MP


Location:Funchal

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Do Talento (Parte 3)

Amiguinhos,

Esclarecimento: o talento, para mim, deve ser o princípio das coisas. Depois vem o estudo, a prática, a dedicação, os truques... Enfim: o que quiserem.

Não vejo nem percebo o talento com um fim em si mesmo. Mas tambem acho que deve ser condição essencial para se seguir em frente com o desenvolvimento. E desvalorizar o talento é feio... Digo eu.

Beijos & Abraços,

MP

Location:Madeira

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Dos Aeroportos

Amiguinhos,

Sempre gostei de Aeroportos. Do movimento, da cor, da diversidade das pessoas, da quantidade de coisas diferentes que se encontram no mesmo sítio... Tudo isto arrumadinho no mesmo pacote com outra das minhas coisas preferidas: viajar!

E gosto também do que os Aeroportos representam: a saída para algum sítio novo, o reencontro com malta com quem não podemos estar sempre, a chegada a casa depois de uma viagem em trabalho... É claro que também há motivos maus para se estar num Aeroporto... Mas não são assim tantos! E, sobre esses, prefiro nem falar... :)

A verdade é que, associada à noção de Aeroporto, está sempre a ideia de algo que muda... Ou que mudou! Reparem que a mudança pode não ser necessariamente para melhor: há sempre uma componente de risco nestas coisas. Mas, mais risco menos risco, mais alegria menos alegria, a verdade é que a passagem por um Aeroporto vai trazer uma mudança... Por pouco que seja, algo muda... Por pouco tempo, por muito tempo, para melhor, para pior... É diferente!

E isto Amiguinhos, faz parte da essência de nos sentirmos vivos!

Beijos & Abraços,

MP

Location:Entre o Porto e o Funchal

domingo, 10 de abril de 2011

Dos Sítios Giros e das Lavagens À Alma

Olá Amiguinhos!

De vez em quando preciso de sair. Preciso de largar tudo o que me é familiar, comum, quotidiano, vulgarzito... Normal. Não é que precise de motivo. Mas se tiver de haver algum, que seja para manter uma sanidade mental relativa e uma perspectiva fresca de que os limites da Ilha não são os limites do Mundo...

Não me interpretem mal: conheço uma parte do Mundo. Mas, aqui e ali, preciso de sentir esse Mundo. Nem que seja voar até o rectângulo...

As almas lavadas funcionam melhor, sentem melhor, vêem melhor, criam melhor... E nada lava melhor uma alma do que uma viagem! Seja pela distância geográfica a que ficamos dos entes que nos causam desconforto... Ou pelo mais puro dos motivos (aquele que, na essência, devia ser o único): ver, sentir e viver coisas diferentes. É pena que ainda não seja tão barato lavar a alma como lavar o carro no Elefante Azul...

Até porque depois, pior do que ter vivido outras realidades e saber que elas existem, é a saudade que elas deixam... Mais uma vez: não me interpretem mal. Gosto da Ilha e quero a Ilha para mim... E também gosto de outras coisas! :)

Beijos & Abraços.

MP

Location:Porto

domingo, 3 de abril de 2011

Do Talento (Parte 2)

Amiguinhos,

Descoberto que está algum potencial talento numa criança (ou adolescente), e partindo do princípio que ele nos deixa estimular e dar-lhe as ferramentas para educar e "domar" essa talento, começa a fase mais determinante (na minha opinião) da formação de um Artista (seja em part-time ou em full-time).

Nesta fase, entendo que não nos devemos esquecer de duas vertentes importantíssimas:
- a formação;
- as vivências.
Tenham em atenção que quanto mais talento houver, mais tendência a criança terá para descuidar-se na formação. E, devido à permeabilidade do espírito nestas alturas, as vivências serão determinantes, essencialmente, na forma de estar futura.

Sendo assim, a formação deve ter três características: método, solidez e acompanhamento. Sem método, a criança perde interesse e a evolução real fica difícil de avaliar. Métodos pouco sólidos produzem artistas medíocres que arranjam "desculpas de mau pagador" para desculpar falhas básicas. A componente de acompanhamento é, como em todas as áreas da educação, essencial para uma avaliação sustentada e pode evitar desleixos que, descobertos tardiamente, podem comprometer seriamente todo o processo.

Sobre as vivências, cabe aos Pais e Educadores estarem atentos. Esta componente tem a ver essencialmente com a convivência com colegas de aprendizagem, artistas que já exercem, público em eventuais audições, etc. E refiro-me, acima de tudo, aos deslumbres que os elogios, os aplausos e as palmadinhas nas costas podem originar. Para mim a regra de ouro é: quem avalia Alunos, são os Professores. E quem avalia os Artistas é o Público. Ou seja, enquanto não estiver completo o processo de formação, deve sempre olhar-se para a criança como Aluno e não como Artista. Não quero de forma alguma parecer frio ou cruel. Este é um ponto de vista que, a longo prazo, só traz benefícios. Posso até exemplificar: em vez de se aplaudir de pé um aluno de piano por ter tocado uma peça básica, porque não dar-lhe boa nota, aplaudir de forma normal, e dizer-lhe "estiveste bem" (se for esse o caso)? Incentiva na mesma mas não deslumbra. Não mete numa cabeça permeável e fresquinha a ideia de que "sou mesmo bom nisto!!!".

Por favor tenham em atenção que o inverso também se aplica: o insulto, o gozo e os gritos (odeio gritos!!) têm o efeito perverso. As chamadas de atenção e as notas negativas devem ser dadas com a mesma moderação que defendo para os elogios. Bem sei que há casos em que regimes duros e abusivos geraram grandes executantes e, em alguns casos, grandes Músicos (sim! Há diferença entre executante e Músico...). Mas a pessoa por trás do Artista era, por norma, um infeliz cuja vida não acabava muito bem...

Relembro que todo este texto diz respeito apenas ao período de FORMAÇÃO de um Artista. Idealmente quando é criança ou adolescente. E relembro também que não sou especialista. Mas tudo isto me parece lógico. :)

Beijos & Abraços,

MP

Location:Funchal

domingo, 27 de março de 2011

Do Talento

Olá Amiguinhos.

Hoje venho falar-vos de uma coisa que, nos dias que correm, tem um valor cada vez mais relativo. Notem que eu não disse "cada vez menos valor". Disse "valor cada vez mais relativo"... Convém explicar: é que as interpretações inocentes (ainda que erradas) não me incomodam. As interpretações "como convém" é que mexem com o meu senso de justiça e me irritam... Mas ter um blogue tem destas coisas. Em frente...

Penso que podemos partir do princípio que o talento é inato: ou se tem, ou não se tem. Ou se nasce com talento, ou se morre sem talento. Depois, as decisões que tomamos (ou que são tomadas por nós) ao longo da vida é que poderão ditar se um eventual talento foi bem usado e bem estimulado.

Um outro lado desta questão é esse mesmo: os estímulos. Conheci gente com talentos em bruto (para cantar, para representar, para falar, para pintar, para fotografar, para filmar) que, por falta do estímulo certo na altura certa, desperdiçou (ou ainda não aproveitou) o dom que tem. Sendo assim, é uma questão de estar atento. Devemos estar atentos a nós próprios, os Pais devem estar atentos aos Filhos, os Educadores aos Educandos... Nunca se sabe quando um comportamento fora do comum pode indicar que o menino (ou a menina) têm jeito para alguma coisa. Não porque foram treinados ou porque ensaiaram. Mas porque surgiu naturalmente... Enquanto os outros tiravam macacos do nariz, o Joãozinho estava em frente ao espelho a respresentar sozinho. Ou a Inês dançava de forma diferente dos pulos desingonçados que as crianças de 18 meses dão...

Aqui, com calma e sem forçar, deve estimular-se. Para ver até onde vai, deve andar-se atento. E, quando chegar a idade, colocá-los no caminho certo: Conservatórios, Academias, etc. Notem que não sou especialista: até agora estou só a usar lógica... :)

Mas, façam o que fizerem, não forcem NUNCA uma criança, adolescente ou seja quem for a explorar uma ideia de um talento que, pura e simplesmente, não têm. Aconteça o que acontecer, o resultado vai ser sempre mau. Pode ser só um percurso artístico medíocre ou pode mesmo ser uma infância e uma adolescência cheia de problemas que, inevitavelmente vão levar a um adulto que podia ser um Electricista feliz e acabou por ser um Pintor triste e revoltado.

Falo mais sobre talento. Mais à frente. Quando me apetecer.

Beijos & Abraços,

MP


Location:Funchal