sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Do Arrependimento

Caríssimos,

Falei brevemente sobre arrependimentos num dos meus textos anteriores. Hoje decidi escrever um bocadinho mais. Tenham paciência... :)

Continuo a defender que não devemos arrepender-nos de nada. Nem do que fizemos nem do que não fizemos. A Vida é uma série de acontecimentos. E não pára (a não ser que chegue ao fim). À parte os acontecimentos (pouco) aleatórios, temos controlo sobre a maior parte dos outros. Ou seja, aliado à sucessão de acontecimentos, há uma sucessão de decisões que somos forçados a tomar, consciente ou inconscientemente. Umas são simples, outras nem por isso. Mas todas resultam em alguma coisa. Todas têm efeitos na nossa vida e nos acontecimentos futuros.

Para mim, o arrependimento é uma espécie de desespero. Talvez por isso me esforce tanto por tomar decisões acertadas. Para não me arrepender. E tenho a capacidade normal de aguentar e viver com as decisões que tomo. Mesmo quando me espalho ao comprido.

Arrependo-me de ter vendido a minha mota. Mas não me arrependo de mais nada. Para mim, a expressão "se o arrependimento matasse" é desnecessária. É desculpa de mau pagador. Considero que há dois tipos de arrependimento: daquilo que se fez e daquilo que não se fez. Acho que o segundo é pior do que o primeiro.

Arrependermo-nos de alguma(s) coisa(s) que fizemos é chato. É aquela sensação (inútil) de querermos voltar atrás e fazer de forma diferente. Como tal não é possível, vamos em frente. E aprendemos. Sabemos que não repetimos a asneira. Ou então repetimo-la, mas de forma ligeiramente diferente. A esperança traz estas coisas. A palavra chave aqui é aprender. E daí até o arrependimento passar é um passo.

Mas arrependermo-nos do que não fizemos... Isso já é uma história completamente diferente. Isso é que é pior. Aí o arrependimento é uma espécie de morte lenta e agonizante. Reparem nas coisas que nos passam ao lado quando decidimos conscientemente (ou não!) não fazer alguma coisa. Nos casos mais leves, podíamo-nos ter divertido imenso. Podíamos ter ganho mais dinheiro. Podíamos ter feito um projecto verdadeiramente aliciante. Nos casos mais graves... podemos mesmo passar ao lado de felicidade plena, e momentos únicos de convivência. Da quase perfeição. E podemos até passar ao lado daquela pessoa que foi feita para nós. Que cuidaria de nós, que nos levaria "nas palmas das mãos" até o fim. Intenso, não é? Ou seja, não houve tentativa. E pior: não houve aprendizagem. Há... vazio.

É claro que não  fazer alguma coisa não precisa necessariamente de ser um arrependimento. Quando o que temos já é bom, dá jeito olhar para a nossa vida e ver todas as coisas boas que temos. Procurar nelas conforto e absolvição. Eventualmente tudo passa. E a harmonia volta. Até podemos olhar para trás e rir da situação. Mas o riso, misturado com arrependimento, torna-se nostálgico. E facilmente se transforma em lágrimas calmas.

Mas atenção: nada está perdido. A vida dá-nos, de vez em quando, uma segunda oportunidade em relação à mesma situação. É raro mas acontece. E pode ser que, dessa vez, valha a pena.

Por isso, a ideia que vos deixo é sempre a mesma: vivam. Enganem-se. Façam asneiras. Respirem mais. Caiam. Levantem-se. Chorem. Revoltem-se. Mas NUNCA se arrependam.

Beijos & Abraços,

MP

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