quarta-feira, 13 de abril de 2011

Dos Aeroportos

Amiguinhos,

Sempre gostei de Aeroportos. Do movimento, da cor, da diversidade das pessoas, da quantidade de coisas diferentes que se encontram no mesmo sítio... Tudo isto arrumadinho no mesmo pacote com outra das minhas coisas preferidas: viajar!

E gosto também do que os Aeroportos representam: a saída para algum sítio novo, o reencontro com malta com quem não podemos estar sempre, a chegada a casa depois de uma viagem em trabalho... É claro que também há motivos maus para se estar num Aeroporto... Mas não são assim tantos! E, sobre esses, prefiro nem falar... :)

A verdade é que, associada à noção de Aeroporto, está sempre a ideia de algo que muda... Ou que mudou! Reparem que a mudança pode não ser necessariamente para melhor: há sempre uma componente de risco nestas coisas. Mas, mais risco menos risco, mais alegria menos alegria, a verdade é que a passagem por um Aeroporto vai trazer uma mudança... Por pouco que seja, algo muda... Por pouco tempo, por muito tempo, para melhor, para pior... É diferente!

E isto Amiguinhos, faz parte da essência de nos sentirmos vivos!

Beijos & Abraços,

MP

Location:Entre o Porto e o Funchal

domingo, 10 de abril de 2011

Dos Sítios Giros e das Lavagens À Alma

Olá Amiguinhos!

De vez em quando preciso de sair. Preciso de largar tudo o que me é familiar, comum, quotidiano, vulgarzito... Normal. Não é que precise de motivo. Mas se tiver de haver algum, que seja para manter uma sanidade mental relativa e uma perspectiva fresca de que os limites da Ilha não são os limites do Mundo...

Não me interpretem mal: conheço uma parte do Mundo. Mas, aqui e ali, preciso de sentir esse Mundo. Nem que seja voar até o rectângulo...

As almas lavadas funcionam melhor, sentem melhor, vêem melhor, criam melhor... E nada lava melhor uma alma do que uma viagem! Seja pela distância geográfica a que ficamos dos entes que nos causam desconforto... Ou pelo mais puro dos motivos (aquele que, na essência, devia ser o único): ver, sentir e viver coisas diferentes. É pena que ainda não seja tão barato lavar a alma como lavar o carro no Elefante Azul...

Até porque depois, pior do que ter vivido outras realidades e saber que elas existem, é a saudade que elas deixam... Mais uma vez: não me interpretem mal. Gosto da Ilha e quero a Ilha para mim... E também gosto de outras coisas! :)

Beijos & Abraços.

MP

Location:Porto

domingo, 3 de abril de 2011

Do Talento (Parte 2)

Amiguinhos,

Descoberto que está algum potencial talento numa criança (ou adolescente), e partindo do princípio que ele nos deixa estimular e dar-lhe as ferramentas para educar e "domar" essa talento, começa a fase mais determinante (na minha opinião) da formação de um Artista (seja em part-time ou em full-time).

Nesta fase, entendo que não nos devemos esquecer de duas vertentes importantíssimas:
- a formação;
- as vivências.
Tenham em atenção que quanto mais talento houver, mais tendência a criança terá para descuidar-se na formação. E, devido à permeabilidade do espírito nestas alturas, as vivências serão determinantes, essencialmente, na forma de estar futura.

Sendo assim, a formação deve ter três características: método, solidez e acompanhamento. Sem método, a criança perde interesse e a evolução real fica difícil de avaliar. Métodos pouco sólidos produzem artistas medíocres que arranjam "desculpas de mau pagador" para desculpar falhas básicas. A componente de acompanhamento é, como em todas as áreas da educação, essencial para uma avaliação sustentada e pode evitar desleixos que, descobertos tardiamente, podem comprometer seriamente todo o processo.

Sobre as vivências, cabe aos Pais e Educadores estarem atentos. Esta componente tem a ver essencialmente com a convivência com colegas de aprendizagem, artistas que já exercem, público em eventuais audições, etc. E refiro-me, acima de tudo, aos deslumbres que os elogios, os aplausos e as palmadinhas nas costas podem originar. Para mim a regra de ouro é: quem avalia Alunos, são os Professores. E quem avalia os Artistas é o Público. Ou seja, enquanto não estiver completo o processo de formação, deve sempre olhar-se para a criança como Aluno e não como Artista. Não quero de forma alguma parecer frio ou cruel. Este é um ponto de vista que, a longo prazo, só traz benefícios. Posso até exemplificar: em vez de se aplaudir de pé um aluno de piano por ter tocado uma peça básica, porque não dar-lhe boa nota, aplaudir de forma normal, e dizer-lhe "estiveste bem" (se for esse o caso)? Incentiva na mesma mas não deslumbra. Não mete numa cabeça permeável e fresquinha a ideia de que "sou mesmo bom nisto!!!".

Por favor tenham em atenção que o inverso também se aplica: o insulto, o gozo e os gritos (odeio gritos!!) têm o efeito perverso. As chamadas de atenção e as notas negativas devem ser dadas com a mesma moderação que defendo para os elogios. Bem sei que há casos em que regimes duros e abusivos geraram grandes executantes e, em alguns casos, grandes Músicos (sim! Há diferença entre executante e Músico...). Mas a pessoa por trás do Artista era, por norma, um infeliz cuja vida não acabava muito bem...

Relembro que todo este texto diz respeito apenas ao período de FORMAÇÃO de um Artista. Idealmente quando é criança ou adolescente. E relembro também que não sou especialista. Mas tudo isto me parece lógico. :)

Beijos & Abraços,

MP

Location:Funchal

domingo, 27 de março de 2011

Do Talento

Olá Amiguinhos.

Hoje venho falar-vos de uma coisa que, nos dias que correm, tem um valor cada vez mais relativo. Notem que eu não disse "cada vez menos valor". Disse "valor cada vez mais relativo"... Convém explicar: é que as interpretações inocentes (ainda que erradas) não me incomodam. As interpretações "como convém" é que mexem com o meu senso de justiça e me irritam... Mas ter um blogue tem destas coisas. Em frente...

Penso que podemos partir do princípio que o talento é inato: ou se tem, ou não se tem. Ou se nasce com talento, ou se morre sem talento. Depois, as decisões que tomamos (ou que são tomadas por nós) ao longo da vida é que poderão ditar se um eventual talento foi bem usado e bem estimulado.

Um outro lado desta questão é esse mesmo: os estímulos. Conheci gente com talentos em bruto (para cantar, para representar, para falar, para pintar, para fotografar, para filmar) que, por falta do estímulo certo na altura certa, desperdiçou (ou ainda não aproveitou) o dom que tem. Sendo assim, é uma questão de estar atento. Devemos estar atentos a nós próprios, os Pais devem estar atentos aos Filhos, os Educadores aos Educandos... Nunca se sabe quando um comportamento fora do comum pode indicar que o menino (ou a menina) têm jeito para alguma coisa. Não porque foram treinados ou porque ensaiaram. Mas porque surgiu naturalmente... Enquanto os outros tiravam macacos do nariz, o Joãozinho estava em frente ao espelho a respresentar sozinho. Ou a Inês dançava de forma diferente dos pulos desingonçados que as crianças de 18 meses dão...

Aqui, com calma e sem forçar, deve estimular-se. Para ver até onde vai, deve andar-se atento. E, quando chegar a idade, colocá-los no caminho certo: Conservatórios, Academias, etc. Notem que não sou especialista: até agora estou só a usar lógica... :)

Mas, façam o que fizerem, não forcem NUNCA uma criança, adolescente ou seja quem for a explorar uma ideia de um talento que, pura e simplesmente, não têm. Aconteça o que acontecer, o resultado vai ser sempre mau. Pode ser só um percurso artístico medíocre ou pode mesmo ser uma infância e uma adolescência cheia de problemas que, inevitavelmente vão levar a um adulto que podia ser um Electricista feliz e acabou por ser um Pintor triste e revoltado.

Falo mais sobre talento. Mais à frente. Quando me apetecer.

Beijos & Abraços,

MP


Location:Funchal

domingo, 3 de outubro de 2010

Da Música ao Vivo e Dos Hotéis

Olá Amiguinhos!

Hoje venho falar-vos de uma assunto que me anda a fazer espécie há algum tempo. Mas ainda não tinha tido vagar para escrever sobre ele. É hoje e não passa de hoje!

Como sou Músico e gosto de me considerar uma pessoa com algum bom gosto, penso que não estarei a dizer nenhuma asneira se afirmar que a Música ao vivo ainda é das melhores coisas a que se pode assistir nos dias de hoje (embora eu conheça algumas mentes iluminadas que dizem que não). Quando é bem feita e no ambiente certo, é motivo de diversão, relaxamento e, permitam-me, faz bem à alma... pelo menos à minha faz (quando ouço e quando toco).

Vivo numa terra onde (e já tive oportunidade de dizer isto numa entrevista) há uma grande concentração de bons Músicos. Sendo assim, é natural que se faça boa Música na Madeira: seja de que estilo for, seja original, seja cover... seja o que for. É claro que nem tudo são rosas... mas sobre esses é deselegante falar.

Faço Música como profissional desde 1 de Novembro de 1996. E desde essa altura, já toquei em arraiais, bares, festas, restaurantes, festivais, casinos e... Hotéis. Como tudo, a Música na Madeira faz-se por ciclos: lembro-me que aqui há uns anos havia mais bares com Música ao vivo. Depois houve um decréscimo da Música nos bares e, agora (felizmente) já estamos a assistir a um regresso dos concertos neste tipo de estabelecimento.

Nos Hotéis é que nunca deixou de haver Música ao vivo. Bem sei que já houve mais. E que as bandas já foram maiores. Mas a verdade é que penso que as pessoas desconhecem a variedade de Música e (de Músicos) que pode encontrar nos Hotéis Madeirenses se decidir sair um bocadinho depois do jantar. Porque há um mito que é urgente desfazer: os Hotéis não são só para turistas e para ricos. São também para pessoas que querem tomar café e um copo (ou 30) no bar a ouvir boa Música. A variedade é interessante e o ambiente normalmente é bom. A minha chamada de atenção é para que apareçam. É para que voltem aos hotéis. Como, de resto, se fazia há anos. O Madeirense (ou o Funchalense, como preferirem) tinha o hábito de ir aos hotéis ouvir e ver Música ao vivo. E dançar... Ainda se faz Música boa nos hotéis... mas é preciso lá ir para ver! Apareçam! Não se vão arrepender... digo isto a bem do que, musicalmente, se faz de bom nesta terra...

Sei que sou suspeito para estar a falar demasiado sobre isto (por ser Músico). Mas, que diabo, alguém tinha de fazê-lo... Informem-se, vão à procura... não se vão arrepender. Há coisas giras a acontecer nos hotéis. A título de exemplo, deixo-vos a animação dos Hotéis do Grupo Pestana, pela qual sou co-responsável. Eu próprio toco nos hotéis deste grupo. A minha agenda de actuações é actualizada diariamente no Facebook...

Agora, nem que seja para dizerem que estou errado e devia fechar este blogue de uma vez por todas, apareçam para conferir se tenho razão ou não!

Digo eu...

Beijos & Abraços,

MP

sábado, 7 de agosto de 2010

Do mau feitio e da injustiça

Olá Amiguinhos.

Hoje apetece-me falar-vos de duas coisas diferentes. Mas que quase sempre andam lado a lado. Podia falar de Rally... mas não me apetece.

O mau feitio não é uma coisa necessariamente má. É claro que "ter" mau feitio é pior do que "ter ataques esporádicos" de mau feitio. Mas não está normalmente associado a pessoas más. Quem tem mau feitio são as pessoas inseguras, as que, por algum motivo, precisam de aparentar ser "reles" e "difíceis" para sobreviverem... Não tem mal nenhum. Mas chateia. E, curiosamente, pela experiência que tenho, as pessoas com pior feitio que conheço, são também algumas das melhores pessoas que conheço. Mas porque vi além do mau feitio e porque vi que era fachada. Sim! Porque se não for fachada, então estamos perante pessoas más que não valem a água que bebem e sobre quem não vou perder mais tempo a escrever.

O mau feitio tem normalmente duas consequências visíveis:
1- Dizem-se barbaridades pela boca fora que irritam até o Dalai Lama;
2- Esperamos que toda a gente compreenda os nossos raciocínios e não sentimos necessidade de explicar rigorosamente nada a ninguém... porque os outros é que têm que perceber o que estamos a pensar ou a sentir.

Tudo isto cria situações de injustiça que, para as pessoas que estão à volta, podem ser, no mínimo, constrangedoras e, nos piores casos, desesperantes. Qualquer pessoa no seu perfeito juízo pensa "o que é que fiz?" ou então "é preciso isto tudo?". E aqui é que os amigos ficam e os estranhos dizem "não tenho paciência para aturar maluquinhos"... ou então, vêem além do mau feitio e decidem ficar. Na minha opinião são potenciais bons amigos. Acreditem, eu sei: também eu sofro de mau feitio.

Sendo assim, deixo-vos mais uma das minhas "conclusões brilhantes" (ou não):
- Para os que não têm mau feitio - Tenham em atenção ter ter mau feitio não significa ser má pessoa. Muitas vezes até é o contrário;
- Para os que têm mau feitio - Tenham em atenção que às vezes não basta saber que se é boa pessoa. Também é preciso mostrar de vez em quando.

Digo eu...

Beijos e Abraços.

MP






quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Dos deslumbres, das coisas confortáveis e... do amor

Amiguinhos,

Hoje venho falar de três coisas (ou, se quiserem, sentimentos) que podem dar a volta à cabeça de muito boa gente. E que podem, em última análise e em casos extremos, dar origem a confusões desmedidas e a decisões catastróficas.

É verdade que há um tempo na nossa vida em que tudo cheira a inocência. Tudo é inconsequente. Quase todas as coisas (e pessoas) novas trazem adrenalina e sentimentos giros (não são necessariamente bons... são giros). E nós mudamos de coisas, de pessoas, de manias, de hobbies como quem muda de camisa (partindo do princípio que todos temos bom senso e achamos que uma camisa não se deve usar mais do que um dia sem ir a lavar). E esta, meus amigos, é, para quem gosta de felicidade pura e dura, a melhor altura da vida. Podem estar em desacordo comigo... mas podem também não ter vivido esta altura em pleno...

Depois vamos crescendo. As coisas vão tornando-se mais sérias, sisudas e (pior) consequentes. Até a adrenalina tem que ser bem medida, as coisas já devem durar mais tempo, as manias são menos (ou mais esquisitas) e os hobbies que ficaram são para o resto da vida. E as pessoas? O que é que fazemos com as pessoas?

Manda o bom senso, a ordem das coisas, o meio onde vivemos e mais meia dúzia de desculpas esfarrapadas que, também as pessoas devem ser menos. (nota do escritor - não sou nenhum maluquinho. É CLARO que as pessoas devem ser menos!!) Devemos escolher quem queremos ao nosso lado e... ir em frente.

Aqui temos duas categorias de pessoas: aquelas a quem tudo corre bem... e as outras.

A quem tudo corre bem, serão as pessoas que, uma vez escolhido "that special someone" vivem uma vida bonita, feliz, sem sobressaltos e cheia de coisas boas. Um casamento (se for essa a vossa onda) feliz, filhos, netos, festas, amigos... and so on, and so on. Aqui temos (por mais voltas que queiram dar) uma vida adulta que, para todos os efeitos, foi vivida com Amor.

Depois há aqueles que, por azar (sim, porque mais cedo ou mais tarde vão ver que é azar), tropeçam com outras pessoas. Não necessariamente por serem promíscuos (esses não têm azar, têm defeito). Mas porque, um belo dia, por uma série de circunstâncias mais ou menos mirabolantes e que só a eles lhes dizem respeito, encontraram outro ente e disseram: "porque não?".

E então, ou se perde toda a humanidade, se controla tudo com a frieza de um robot e (nos casos mais bicudos) se chegam a viver vidas duplas (que não interessam nem ao Menino Jesus e acabam por envelhecer-nos sem necessidade)... ou então... cede-se. E está o caldo entornado. Pior: admite-se que está o caldo entornado. Porque ele já entornou quando alguém decidiu dizer "porque não?"...

E fazem-se mudanças na vida que, até podem resultar, mas que deixam marcas. Marcas que nunca mais saem. Tudo por causa de:
Deslumbres - Quando se sente "isto é que é. Afinal é desta pessoa que gosto. Não é justo ter que estar com aquela se é desta que gosto.". Deslumbre porque é novo, porque é diferente. Porque quebrou monotonias e nos fez pensar que podíamos voltar a ser inconsequentes por breves instantes, dias, semanas ou meses. Raramente resulta. Não se fica só o tempo suficiente para "enterrar mortos" e fazem-se asneiras descomunais;
Coisas confortáveis - Quando as coisas não estão bem com quem se está e, por acaso (ou não) se encontra alguém com quem é confortável estar. Seja porque foi um caso inacabado de há não sei quantos anos, seja porque nos trata melhor... seja pelo que for. É confortável porque, quando está controlado, tudo corre bem... até deixar de estar. E quando deixa de estar... sofre-se. Porque há dúvidas. Porque há muitos "e se...". Não funciona e dizem as más (ou boas) línguas que se deve, pura e simplesmente, deixar... deixar de estar confortável. E voltar à vida real.

Do Amor já vos falei no início. Corre tudo bem. Há brigas, há tempestades, há gritos, há choros... mas Amor, amiguinhos, não é só atravessar um lago saltando docemente de nenúfar em nenúfar. É ser consequente e estar ao pé de quem se gosta mesmo quando as coisas correm mal... para tentar consertá-las ou para chegar à conclusão que não dá mais.

Mas que se faça bem, de forma correcta e pelos motivos certos.

Não quero ensinar nada a ninguém. Mas apeteceu-me escrever sobre isto.

Beijos e Abraços,

MP