sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Das Esperas


Olá Amiguinhos.

Quem me conhece sabe que não gosto de esperar. Nem muito nem pouco. Não gosto. Quando há motivo, percebo, perdoo e até espero menos chateado. Mas gosto da atenção e do respeito que se tem quando se diz alguma coisa. Quando me contactam com uma justificação, a coisa resolve-se. Mesmo assim... Não gosto muito! :)

Há coisas (e pessoas) pelas quais vale a pena esperar. Notem que "valer a pena" não implica que eu goste. Mas, quando o objecto da espera é bom, então que seja. Seja uma pessoa que não vemos há algum tempo ou o instrumento novo que encomendámos e que esperamos ansiosamente que chegue.

A única maneira que tenho de esperar sem grande stress é... respirar fundo. E construir uma espécie de serenidade que me permite anular as ansiedades típicas da espera. Trata-se, portanto, de simplificar a coisa (onde é que eu já li isto? :)). Não sou anjinho, nem budista, nem tenho uma paciência ilimitada. Também tenho a minha dose de mau feitio. Mas a questão que se coloca é: stressar para quê? Stressar não encurta a espera. É, obviamente, mais fácil dizer (ou escrever) do que fazer. Mas tentar não custa. E até se consegue.

O inverso também se aplica. Detesto fazer pessoas esperar ou deixar para amanhã o que posso fazer hoje. E odeio ser responsável por causar ansiedades desnecessárias nas pessoas que, por minha causa, estão à espera de seja o que for. Ora, sendo a vida um sistema de compensações constantes, espero (e gosto) que tenham para comigo o mesmo respeito e a mesma deferência.

Tudo para (tentar) evitar desesperos. Porque o desespero é, seguramente, um dos piores estados de alma que já senti. Deixo-vos hoje uma canção do Zé Marinho, cantada pelo Beto, que fala precisamente disso. A envolvência da Música é claramente mais romântica. Mas mesmo assim, com um bocadinho de imaginação, aplica-se a (quase) tudo. Nota: tanto o Compositor como o Cantor eram meus Amigos e, infelizmente, já morreram. Além de ser uma canção linda de morrer, é talvez pelos motivos referidos, muito especial para mim.

Diz o ditado: quem espera sempre alcança. E digo eu: está bem! O alcançar é bom. O esperar, nem tanto. Mas quando o objectivo se justifica... Vamos nessa! :)

Beijos & Abraços,

MP


quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Do Amor

Amiguinhos,

Esta deve ser a primeira vez que escrevo sobre o Amor. De forma isolada é de certeza. Ora vamos a isso! :)

O Amor é bom! O Amor só por si é lindo. Não há coisas más no sentimento em si. E é simples. Quem não percebe a simplicidade de um sentimento destes, precisa de meditar muito. :) Digo eu.

O que complica a coisa (e até pode trazer dissabores) é a gestão que fazemos do Amor. É toda a envolvência social e física. São as expectativas que se criam. É no, fundo, a nossa cabeça. Não há como evitar as complicações que um sentimento tão forte nos traz. Começa a haver ansiedade, ciuminho (ou ciumão), sentimentos de posse e aparecem inseguranças que rebentam com tudo. E é Humano que assim seja. 

Estamos programados para complicar e para sofrer. E tenho para mim que somos demasiado preguiçosos (ou incapazes) para descomplicar. Mas reparem na essência. Se for preciso voltem à essência do sentimento. Sejam as borboletas no estômago, a vontade de estar com, o gosto por tudo o que se faz, a paixão (duradoura) que se põe em cada minuto das coisas que fazemos. Ah! E não estou a falar só do Amor entre pessoas. Falo também do que sentimos pela nossa profissão, pelas coisas que gostamos. Pela Vida.

Escolhi uma profissão que me permite, entre outras coisas, falar de Amor. Transmitir e interpretar esse sentimento bom. E faço questão de colocar Amor em tudo o que faço na vida. Mesmo na resolução dos problemas. Mesmo nas coisas más que aparecem. Sou lamechas? Se calhar. Mas também sou positivo. E alegre. E a essência é essa mesmo: colorir tudo o mais possível.

Aprendi a viver com as consequências boas (e más... e complicadas) que a vivência de qualquer sentimento bonito nos traz. Com os baldes de água fria. Com as desilusões e com as brigas. Porque o saldo é claramente positivo. E se o saldo correr o risco de se tornar mais negativo: então que se ame. Que se ame mais! E se for para sofrer, que seja. Mas é por uma boa causa. Acreditem que tornar-se insensível e frio é bem pior. E fugir então, é a morte do artista. 

Não consigo conceber a Vida sem Amor. E não me venham com tretas do género "mas tens de ver que há vários tipos de Amor". Não há! Só há um tipo: o bom.

O Amor tem de ser mais forte do que nós. E é isso que diz a Música que hoje vos deixo. O Ricky Vallen (que, até esta música, me era desconhecido) cantou o Amor da forma mais simples que existe. E aplica-se a tanta coisa...

Porque o Amor, amiguinhos, é como esta música: simples e bonito. :)

Beijos & Abraços.

MP



quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Do Que Não Pode Ser


Olá Amiguinhos!

Clarificação: não gosto de ouvir (ou dizer) "não pode ser". A sério: incomoda-me. Não sou maluquinho e sei que há coisas que, por motivos vários, não se conseguem fazer. E às vezes é mais maluco e inconsequente quem acha que "tudo se faz". Costumo dizer que, em circunstâncias normais, tudo é possível: o projecto, a viagem, a relação... A asneira. :) O problema é que, na maioria das vezes, as circunstâncias estão longe de ser ideias: ou porque não dinheiro, ou porque não há tempo, ou porque as pessoas não são as indicadas. Ou então porque há muito a perder.

Antes de se dizer que não pode ser, devemos esgotar todas as possibilidades (nem que seja mentalmente). E devemos avaliar se vale a pena. É que, se não valer a pena, mais vale dizer "não quero que seja". Arruma-se logo o assunto e a consciência fica (mais ou menos) tranquila. 

Deixem-me que vos diga que, para mim, são poucas as coisas que, pura e simplesmente, não valem a pena. Qualquer ideia, situação, mudança, experiência deve ser, no mínimo, considerada. E quando há qualidade potencial ou sentimentos bons à mistura, é quase obrigatório considerar. E tentar. E trabalhar com afinco e capacidade de sofrimento para que não seja mais um "não pode ser".

Reparem que a perseverança está presente na maior parte dos meus textos. Longe de mim querer ser repetitivo. Mas notem que é mesmo isto: não tenho vontade de ter e viver coisas fáceis. Quero trabalhar, tentar, puxar e fazer acontecer as coisas. Os resultados são, naturalmente, incógnitas. A coisa pode correr bem ou pode correr mal. O que a coisa não pode é... não correr.

É claro que tudo isto funciona muito bem quando as coisas dependem só de mim. Quando há outras cabeças (ou corações) à mistura, fica mais difícil. Mesmo assim, a capacidade de persuasão faz parte do processo. :) Mas há situações às quais, claramente, não se aplica: não se pode (nem deve) persuadir ninguém a gostar disto ou daquilo. Ou desta ou daquela pessoa. Quando se entra de cabeça, que se entre com paixão, vontade, capacidade de trabalho e com um objectivo em mente. Porque se não, à primeira dificuldade que apareça, cai tudo por terra. E depois... Não pode ser.

Decidi deixar-vos mais uma musiquita hoje. Escolhi esta por causa de uma frase no refrão: "onde só chega quem não tem medo de naufragar". Ter "medo de naufragar" é o motivo pelo qual muita coisa "não pode ser". E fica pelo caminho.

Viver sem a possibilidade de um naufrágio desastroso não presta. Porque a alternativa é boa. E, mesmo que o objectivo não seja atingido... pelo menos a viagem foi inesquecível. :)

Beijos & Abraços,

MP




segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Dos Filmes da Minha Vida

Olá Amiguinhos.

Filmes. Hoje falo-vos de filmes. Os que marcaram a minha vida. As razões nem precisam de ser profundas, embora também as haja. A verdade é que sempre gostei de cinema. E da possibilidade de, numa qualquer realidade, algumas histórias que vi em filme, tornarem-se reais. 

É claro que também gosto de filmes de puro entretenimento. Os filmes de acção, os policiais, as comédias têm sempre o seu lugar. O objectivo de distrair é muito bem conseguido em muitos destes filmes. E a ideia é essa: distrair-me. Mais nada.

De filmes de animação também gosto. O Alladin, a Bela e o Monstro, o(s) Madagáscar(es), o Rei Leão... E o desgraçado do esquilo da Idade do Gelo. :) Gosto disto tudo. Pelas piadas, pela componente musical e pela envolvência da história.

Depois há aqueles filmes que me marcaram. O Clube Dos Poetas Mortos trouxe a noção de irreverência num sistema demasiado rígido. Trouxe a entrega de alguém ao sonho que tinha, ao que queria fazer da vida. E trouxe a revolta que a rigidez das mentalidades pequeninas e tacanhas provoca. 

Os Condenados de Shawshank impressionou-me essencialmente pela história, pela vivência crua e violenta da prisão e pela maneira brilhante de conduzir o argumento. E pela capacidade de superar tudo, com um sonho em mente. Resultado: vi o filme algumas 15 vezes.

O Mr. Holland's Opus - O Professor encheu-me as medidas. Fez-me olhar para a minha profissão e para os Músicos em geral de uma forma nova e diferente. Fez-me perceber que a capacidade de adaptação (numa primeira fase) e de gostar verdadeiramente do que faz (numa fase posterior), são meio caminho andado para uma vida grande e preenchida... Cheia de objectivos novos e nobres. Uma vida vivida, claramente, com amor. E eu não a quero de outra forma. :) Nota - penso que só o Richard Dreyfuss  conseguiria fazer este Mr. Holland.

Não sei se é por inerência da minha profissão ou por gosto mesmo, mas os filmes sobre Música (ou Músicos) têm um lugar muito especial na minha vida. Atenção: não são musicais! Neste capítulo, adorei o Les Miserables, mais pela interpretação da Anne Hathway do que por outra coisa qualquer. O Russell Crowe a cantar, por exemplo, dá-me vontade de rir. 

Mas os filmes sobre Música prendem-me sempre. O Ray, o Amadeus, o The Doors, o That Thing You Do, o Bird... Adoro. E quando a história é fiel e a música tocada é boa, melhor ainda. Este tipo de filme ainda me faz sonhar e, acima de tudo, faz-me lembrar vários dos motivos pelos quais escolhi ser Músico.

Hoje deixo-vos brinde: uma das músicas da minha vida, de um dos filmes da minha vida. Primeiro foi série, depois filme... Duas vezes. E reflectiu uma realidade da qual sempre gostei. E que gostava que estivesse mais perto de mim. Falo-vos do Fame que me apresentou uma realidade musical e artística fora do clássico habitual. E trouxe o bónus de retratar a dimensão humana daqueles artistas, daqueles alunos. Com problemas feios e tudo.

Se gostam desta música, ficam a saber que estão mais próximos de mim! :-D

http://youtu.be/i4mkRwkQRoQ

Agora já sabem: quando alguém disser que o Miguel Pires anda "a ver muitos filmes"... Muito provavelmente tem razão!

Beijos & Abraços,

MP

domingo, 4 de agosto de 2013

Da Inocência

Amiguinhos,

Quem é que tem saudades de tempos (e idades) de inocência? Eu tenho. Não de forma angustiante e doentia, mas tenho. Do tempo em que tudo era leve e inconsequente. Porque havia sempre alguém que resolvia as asneiras que fazíamos e minimizava  as consequências com comentários do género "não foi com maldade" ou "são coisas de miúdos". Em que os castigos eram umas palmadas ou "vai para o teu quarto". Em que tudo ficava resolvido de forma quase imediata. E em que ficávamos prontos para outra depois de umas lagrimazitas ou de amuarmos um bocado.

Era bom porque tudo era natural. Ríamos, chateávamo-nos, andávamos ao estalo e voltávamos ao normal num abrir e fechar de olhos... Naturalmente. Não havia "lutos" por coisas tontas e os padrões sociais e de comportamento aplicavam-se aos "grandes". Aos "adultos". Aos "chatos". :)

Até sentirmos na pele a primeira dose de crueldade fora do normal. Viesse ela em que formato viesse: num estalo dado com força desnecessária, numa conversa brutalmente honesta ou na responsabilização por um acto verdadeiramente grave. Ou na imposição de mudanças que não queríamos nem estávamos prontos para aceitar. Daquelas que nos faziam contrair os músculos todos do corpo, tamanha era a revolta. 

Tenho um amigo que diz que, até se perder a inocência, havia felicidade. A partir daí o que há são momentos de harmonia. E felizes são aqueles que conseguem contabilizar mais momentos desses. Por muito que me custe, sou obrigado a concordar.

Durante muito tempo (mais do que o normal) tentei manter e cultivar uma inocência duradoura e relativa que me permitia, digo eu, ser mais feliz. Mas depois vem a pancada. As desilusões. E a repetição mais do que frequente da expressão "parece que não aprendo".

Mas o ser humano tem uma capacidade de recuperação fora do normal. E então recupera. Procura sempre uma resolução interior que lhe permita ter uma paz mais ou menos duradoura. Um "seguir em frente" tranquilo. A mossa fica mas não precisa de doer todos os dias. :)

Há um truque interessante para se ter muitos dos tais "momentos de harmonia". Trata-de fazer uma coisa a que chamo "reset da inocência". Como se um computador se tratasse, reiniciamos os sentimentos de forma a acreditarmos novamente na bondade das pessoas, na ausência de sentimentos negativos. A capacidade de apagar (ainda que temporariamente) coisas más, é uma alegria. Porque senão, não há quem aguente. É bom ter a capacidade de re-injectar inocência na nossa vida. Uma vez. E outra. E as vezes que forem necessárias. Garanto-vos que serão felizes mais vezes. :) Pode não ser por muito tempo. Mas mais vezes, serão de certeza.

Não digo que devamos ser inconsequentes. A prudência tem sempre lugar na vida das pessoas. E evita chatices. Mas ser prudente não é viver com medo, nem num comodismo tonto que nos adormece e que nos tira, mais cedo ou mais tarde, a alegria de viver. 

Idealmente devemos ter sempre um bocadinho de nós que ainda mantém a inocência e a simplicidade de outros tempos. Uma espécie de reservatório que vamos usando quando a coisa fica mais negra. Porque esse reservatório é o que nos dá a capacidade de ver um lado bom em tudo. Por mais escuras que as coisas nos pareçam. E de ser perseverantes por mais negas que nos dêem. 

O bocadinho de inocência "recarregável" que ainda hoje mantenho, permite-se sempre acreditar de novo. E começar de novo. E fazer asneiras. E corrigi-las. E levantar-me.

E eu levanto-me. Sempre!! :)

Beijos & Abraços,

MP

sábado, 3 de agosto de 2013

Do Porto Santo

Amiguinhos,

Desde miúdo que venho ao Porto Santo todos os anos. Alguns anos, mais do que uma vez. Costumo dizer que há muito Portossantense que tem menos anos de vida do que eu de Porto Santo. :)
Esta sempre foi para mim uma Ilha de amores. Foi aqui que, em miúdo, me "apaixonei" várias vezes. Como  adolescente,  a tendência continuou. E foi aqui que, depois, conheci a minha Mulher. :) Como podem ver, esta Ilha, apesar de eu não ser um grande adepto de torrar horas ao Sol, sempre me deu coisas boas. Assim, sinto-me bem por cá. E mais: acho que, sentir-se mal nesta Ilha, pode tornar-se sufocante e desesperante. Mas hoje não me apetece falar disso.

Quem olhar para esta terra como "9km de praia e uma noite divertida para tomar copos", corre um risco sério de estar enganado. É que há (e houve) sempre muito mais no Porto Santo. Sou do tempo em que a rua do Zarco era uma loucura à noite, em que as caras conhecidas eram mais que muitas, em que a Fonte da Areia era o melhor sítio para se ir buscar água e em que se ia pescar ao Cais. Hoje em dia, a Quinta do Serrado é uma delícia, as lambecas continuam a fazer o mesmo sucesso de sempre, a comida está cada vez melhor e os fins de tarde continuam a ser frescos, apetecíveis e retemperadores. A animação continua mais que muita e há para todos os gostos. Permitam-me aqui um parêntesis: o melhor concerto que fiz a solo na minha vida foi na Praça do Barqueiro há 10 anos (salvo erro). O público era do melhor que há e tive de voltar ao palco duas vezes. E depois estava rodeado de amigos e de gente boa. :)

Sou do tempo em que se viajava no Pirata Azul, no Independência, no Alizur Amarillo, no Pátria, no Lady of Man e no Madeirense. E, apesar de não ser grande marinheiro, a viagem no Lobo Marinho faz-se maravilhosamente e com todas as condições. E a ideia do que se vai encontrar no fim da viagem, faz com que cada vinda cá seja um prazer. Acreditem que, até com chuva e frio, gosto desta Terra. :)

Não vou negar que há nostalgias. As saudades que sinto da minha Avó (que todos os anos me trazia cheia de paciência), de ter de ir aos CTT telefonar, do verdadeiro "desligar" que havia quando para cá vínhamos, de tirar o relógio mal punha um pé em terra firme, das bebedeiras que se tomava sem grandes preocupações (porque trazer carro era um luxo), dos passeios de jerico e, acima de tudo, das noites divertidas com amigos, sem acesso a muita coisa a que, hoje em dia, esta malta tem acesso. E de comer biscoitos do Porto Santo no terraço da casa da minha Avó com o meu Amigo Bruno. :) Bons tempos!

Hoje, com os iPhones, iPads, PCs e restantes tecnologias, o Porto Santo fica mais perto de tudo. E mais parecido com tudo. É preciso haver mais esforço, disciplina e controlo da nossa parte para poder estar, verdadeiramente, em "modo Porto Santo". Mas tudo se faz. Haja vontade! E há. Tenho a certeza que, quem sabe (e quer) estar no Porto Santo, consegue. E volta... 

Não sei como alguém pode ligar ao que, há poucos dias, se disse numa telenovela. Houve alguém que, seguindo um guião brilhante (not!) se referiu ao Porto Santo como uma Ilha deserta que tinha praia e pouco mais, onde não se passa nada. Não sejam pequeninos, não digam asneiras. A grande vantagem de cá estar é simples: se quiserem que não se passe nada, há sítios para estar. Mas se quiserem curtir muito, também há! E a Ilha é suficientemente grande para que as duas realidades vivam em harmonia. Se quiserem pensar o contrário, estejam à vontade. Mas não sabem o que perdem. E isso quem vos garante sou eu!

Assim sendo, vou continuar a vir, a desfrutar e a gostar desta terra. E a tê-la também como minha. E vou continuar a sentir coisas boas quando cá venho. Quem me conhece sabe que, o que procuro na vida é, precisamente, coisas boas. Daí a profissão que escolhi, os poucos amigos que tenho e os sítios onde gosto de estar. Este é um deles. Agora já mais "velhinho" e menos afoito. Mas, até nisso, o Porto Santo me enche as medidas: mudou comigo, ao meu ritmo e sem impor nada. Ou fui eu que amadureci... Não interessa: é bom na mesma.

Nota - neste momento estou na Quinta do Serrado a escrever. Respira-se sossego e bem-estar. Daqui a pouco está na minha hora de ir à Praia (mais ou menos às 5 da tarde). Depois há o fim de tarde no terraço lá de casa, o jantar e as cervejinhas (e a conversa) mais logo. :)

É claro que a inocência e a simplicidade de outros tempos se perderam. Mas também quem, mais cedo ou mais tarde, não deixar cair essa inocência, corre o risco de viver pouco. Ou de viver iludido. E nem uma nem outra são saudáveis a longo prazo.

Perguntam-me vocês: podias viver sem ir ao Porto Santo? Claro que podia! Mas não,era, nem de perto nem de longe, a mesma coisa.

Beijos & Abraços,

MP


sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Da Vontade de Ensinar e Dos Métodos

Amiguinhos,

A vontade de passar a outras pessoas o conhecimento musical que tenho já não é de hoje. Há algum tempo que gostava de ensinar (embora, honestamente, não goste muito desta palavra) o que sei e a minha maneira de tocar e cantar.

Acho que nunca se proporcionou. Ou porque não havia um espaço para isso, ou porque não havia tempo. Agora que essa possibilidade se coloca, é preciso pensar em método. E método é, para mim, essencial.

Participei há pouco tempo numa conversa sobre ensino e pedagogia. Ouvi mais do que falei porque sou leigo na coisa. Sobre este assunto penso o seguinte: para ensinar precisamos mesmo de ter em atenção quatro aspectos fundamentais. São eles: paciência, vontade, pedagogia e método. É fácil perceber a importância de cada um. E vou mais longe: quem conseguir reunir estas características tem tudo para ser um bom professor.

A paciência é essencial e basilar. Em cada aluno há uma pessoa diferente. Com capacidades diferentes. Com limitações diferentes. Nem todos temos o mesmo talento ou capacidade natural para aprender e executar um instrumento. E a capacidade de não perder a cabeça quando as coisas não entram à primeira, é essencial. Caso contrário, temos alunos frustrados, com medo e sem entusiasmo. Que depois ou desistem, ou se tornam músicos medíocres. Uma coisa é ser paciente. Outra é ser permissivo e iludir alguém que, pura e simplesmente, não tenha jeito para a coisa. A honestidade nestes casos é a melhor saída. Pode perder-se um mau músico e ganhar-se um bom médico.

Quem não tiver vontade de ensinar, não deve fazê-lo. O ensino como solução profissional de recurso produz professores amargos e pouco ambiciosos. Que, com o passar dos anos, se tornam cada vez mais irrascíveis, deprimidos e desmotivados. E muitas vezes estragam e desmotivam pessoas talentosas.

Ter noções de pedagogia e mesmo alguma "pedagogia natural" é muito importante. Porque a pedagogia permite-nos agir de acordo com as nuances de cada aluno. Sejam elas comportamentais ou mesmo sociais. É uma espécie de instinto que tem forçosamente de ser inerente a quem ensina.

Por mais que se saiba (e conheço gente que sabe mesmo muito), não basta começar a ensinar coisas de forma isolada e aleatória. Há técnicas que têm precedência umas sobre as outras. Há timings para ensinar cada parte. A construção de um método é, por isso, essencial. Senão podemos ter um aluno que sabe tocar o Garota de Ipanema mas não sabe a escala de Fá Maior! Não é porque seja burro. É porque, antes de aprender a música em questão, o aluno precisa de saber a escala que lhe permite tocá-la e improvisar sobre ela. 

Uma coisa de cada vez. Com timing e disciplina. A isto chama-se método. E método pode significar a diferença entre um músico preparado e um jeitoso. :)

Beijos & Abraços.

MP