segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

O Meu Pontinho

Querido Pontinho,

Sei que vais ser lindo. Nunca te vi. Ainda não tive essa hipótese e a coisa não tem sido fácil. Mas sei que vais ser lindo.

Em mim, já és lindo há muito tempo. Até nos meus sonhos, onde entraste várias vezes, te consegui ver a cara. És engraçado. Tens um sorriso aberto e uma mãos pequeninas e apetitosas. E cheiras tão bem!

Fazes aqueles barulhinhos giros que deixam qualquer um a olhar para ti com um ar aparvalhado. Os teus olhos abrem, fecham, semicerram e olham à volta à procura de tudo. Ou à procura de nada... fixas qualquer coisa, abres um sorriso, fechas as mãos e desatas a fazer gestos... e mais meia dúzia de barulhinhos.

Quando perderes a piada, vais passar a ser motivo de orgulho. De preocupações, de chatices, de decisões difíceis, de brigas, de discórdias e de discussões. Mas sempre de orgulho. Não tens piada nenhuma se não deres luta. Se não aprenderes cedo que eu não tenho sempre razão. E eu estou aqui para aprender. E para te ensinar.

Os outros (leia-se "todos menos nós os três") vão logo pensar que te vou ensinar Música, logo assim, sem anestesia. Pois têm razão! Acreditando na roleta da genética e querendo passar-te alguma coisa de bom sem grande esforço, já ficas com algum talento para tocar e cantar. 

Depois vem o resto. Quero que sejas tudo, quero que sejas vida constante. Quero que ames sempre, que dês, que perdoes, que toleres, que andes em frente! Que tenhas medos e que os enfrentes só. Que os domines e que aprendas a rir-te deles. Quero sentir a angústia de querer proteger-te e não o fazer. Porque tu, meu pontinho, não vais ser um inútil. Não vais ser fútil, não vais ser preconceituoso, não vais ser mau. Não é isso que quero para ti. Não é isso que tu queres para ti. Tu és lindo por fora e por dentro.

Vou ensinar-te tudo o que sei. Não dá para ser egoísta nem selectivo quando se ensina com a cabeça e com o coração. Vou esperar que tenhas capacidade de aprendizagem e, pelo menos, o mesmo palmo de testa que eu tenho. Acho que não é um mau começo. Mas, em tudo, quero que sejas mais do que eu. Melhor do que eu. Mais rápido do que eu. Vou criar-te bases e dar-te ferramentas. No limite, dou-te um empurraõzinho. Mas não estejas à espera que te leve ao colo, meu pontinho lindo. 

Acho que a melhor coisa que te posso dar, é a sensação de teres conseguido as coisas por ti. Até não me importo que um dia penses mal de mim por não ter-te protegido mais ou por não te ter facilitado as coisas. Mas, no fim de tudo, vais ser maior. Vais sentir-te maior. E essa, meu pontinho, é a melhor sensação de todas.

Que Deus te dê a beleza, a doçura e a força da tua Mãe. É por causa dela que tu és lindo. Que tu vais ser mais lindo ainda. Esta viagem que vais começar, só faz sentido se for a três. Se formos nós os três. E um dia vais perceber porque têm de ser estes três. 

Vais ser tu a escrever o livro da tua vida. Eu vou ser uma espécie de revisor chato, que corrige umas coisas aqui e ali. E vai ser um livro épico! Não porque tu vás ser o dono do Mundo. Mas porque vais ser meu e da tua Mãe. E depois vais ser do Mundo. E porque tu, meu pontinho, já és lindo. És o pontinho mais lindo que já vi na minha vida!

Cresce pontinho, cresce! É que já é um prazer olhar para ti. E eu gostava mesmo de conhecer-te melhor.

Beijinhos Pontinho!

sábado, 28 de janeiro de 2017

Das Homenagens

Aloha!

Depois de algum tempo parado, decidi voltar aos meus escritos. Pode ser que tenha inspiração para escrever com mais regularidade. Ou não. Ninguém sabe. :-)

Dei por mim a pensar em homenagens, sejam elas de que espécie for. Há algum tempo, em conversa com Colegas e Amigos, falei (em algumas alturas de forma mais emocionada) na justiça de homenagens que se deviam fazer. Ou na injustiça da falta delas.

Tive o prazer e, acima de tudo, a honra de participar em algumas homenagens que se fizeram a alguns Colegas de Profissão. E só tenho pena de não ter podido participar em mais. Os reconhecimentos públicos de uma capacidade, de uma carreira, da dedicação a uma causa são a forma mais bonita de se dizer obrigado. E é por este princípio que me rejo quando aceito participar numa homenagem a alguém: tenho de acreditar que aquela pessoa ou instituição merecem o reconhecimento e todo o trabalho que vou dedicar àquela causa. Que é justo e honesto agradecer de forma pública. Tenho feito sempre assim. E, até agora, ainda não me arrependi.

Convivo, quase diariamente, com pessoas que deram muito de si, ao longo de muito tempo, a alguma coisa. À Música, ao Teatro, à Rádio, à Televisão. A causas nobres e, muitas vezes, difíceis. Que inovaram, que educaram, que ajudaram, que promoveram situações, acontecimentos, causa e pessoas, muito além do que delas seria esperado. Que o fizeram, muitas vezes, com poucas ou nenhumas condições, a muito custo, com consequências nefastas na sua vida pessoal. Porque acreditavam que valia a pena. Porque sabiam que, sem essa dedicação e entrega, nada de novo se faria, não se avançaria e tudo ficaria na mesma.

Sei que, há algum tempo, um Músico Madeirense foi condecorado pelo Governo Regional da Madeira. E não foi o primeiro. Mas agora é mais frequente homenagear músicos, seja por mérito turístico ou pela divulgação e ensino da arte. Em boa hora o fizeram. Eu tive a oportunidade de sentir efeitos práticos da dedicação deste Homem à Música, em várias vertentes e estilos. O trabalho que ele fez era já conhecido de muitos. Mas daí ate alguém decidir homenageá-lo, daí ate porem em prática e fazerem acontecer esse reconhecimento público, vai (ou foi) uma grande distância. E como deve ter sido doce receber aquele prémio, ter sido reconhecido por tanto, tanto trabalho e por tanta dedicação...

Tenho para mim que a maior parte dos homenageados não trabalha pensando na medalha que um dia pode receber. A maior parte deles pode ate nem achar que merece ou que não fez nada de especial. Não por falsa modéstia. Nem mesmo por verdadeira modéstia. Mas porque nunca sequer pensou nisso. Porque fez tudo o que fez porque quis, por vontade, por egoísmo (também é possível), por vontade de ajudar uma causa, para ensinar algo às pessoas ou para inovar nesta ou naquela área.

Quem disser que não liga ao reconhecimento publico de um bom trabalho, ou está a mentir, ou é inconsciente. Porque toda a gente gosta de reconhecimento e porque esse reconhecimento pode servir de exemplo para que outras pessoas abracem causas notáveis e, um dia, façam coisas grandes.

Assim sendo, que venham esses reconhecimentos. Que se tenha visão transversal quando se tomar decisões sobre quem homenagear. Que se pense em todas as formas que existem de se tocar a vida das pessoas, de (de alguma forma) melhorá-la. Seja através da botânica, da geologia, da medicina, do turismo ou da música. Que não se tenha medo de homenagear músicos, bailarinos, pintores, escultores. Que se tome estas decisões de forma consciente e ponderada, mas aberta. 

Que se premeie mérito. Sem medo!

Beijos & Abraços.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Das Cartas de Amor III

Aqui vai mais uma das minhas aventuras nestes textos. Espero que gostem. :-)

"Meu Amor,

Hoje sei que o Amor tem uma característica que o torna infalível: ou é, ou não é.

Não sei se esta é uma Carta de Amor ou de Despedida. E não quero saber. O tempo é mestre nestas coisas e sei que não me vai deixar ficar mal.

Provavelmente não sou o Homem que queres. Não serei Homem para ti. Estou longe de ser um Príncipe Encantado. Estou longe de entender-te como queres e estou longe de ser um Homem recomendável. Exactamente: estou longe de ser recomendável para seja quem for. E dói-me saber que a culpa é minha. 

Esta coisa de ter mau feitio tem muito que se lhe diga. É que, por trás de um mau feitio, estão geralmente pessoas boas. Mas não basta ser pessoa boa. É preciso parecer, engolir, suportar, lutar e ir em frente. Todos os dias. Há falhas que se tornam difíceis de suportar, mesmo quando se gosta muito de alguém. E não espero que as suportes. É difícil e é doloroso. No fundo acho que tinha a noção que estaríamos condenados à partida. Mas queria tanto... O meu coração queria tanto, que o deixei mandar em tudo.

Tenho aquela reles mania de que o Amor conquista tudo. Hoje vou acreditando que não é bem assim. A pureza das coisas perdeu-se algures na vida de quem já viveu um bocado. E as inseguranças, medos e bagagens do passado pagam-se caro. Queria muito fazer-te feliz. Mas sou estranho e a minha dose de loucura tem um lado insuportável. E depois dizemos e fazemos coisas que podem ser asneiras tremendas.

E agora chegámos aqui. A um ponto em que ninguém sabe o que quer da vida. Assim sendo, tudo se torna incógnito. Os pensamentos deambulam por sítios onde não deviam andar. E os sentimentos vão atrás. E tornamo-nos pequeninos e desprotegidos.

Quis sempre proteger-te. Levar-te pela mão. Levar-te nas mãos até envelhecermos juntos. Queria ser-te e queria que me fosses. Mas não é assim. Não foi assim. 

Gostar de ti é bom e desejar que a vida te traga coisas e pessoas boas é natural. Não me custa nada. Penso que será novamente o coração a mandar. Deixá-lo mandar. Ele lá sabe!

Ao virar de uma qualquer esquina estará alguém. Outro alguém que, da forma que queres, te preencherá. Que será o Tal. O Príncipe Encantado que esperas e que te espera. E eu sei que ele anda por aí. Até o encontrares.

Querer viver não tem mal nenhum. É saudável, é bom e é natural. E encontrar-se é difícil. Mas faz-se. Tudo se faz. E tudo passa. Acredita que tudo passa.

No fim disto tudo, o sentimento recorrente é sempre o mesmo: Amo-te desde sempre, sem mais nem porquê."

Parece-vos bem? :-)

Beijos & Abraços,

MP




quinta-feira, 20 de março de 2014

Da Reciprocidade

Nota - Este texto não tem a pretensão de ensinar nada a ninguém. É apenas o meu ponto de vista. E vale o que vale.

Uma das coisas pelas quais guio a minha vida e das quais (por enquanto) não abdico, é da reciprocidade. E notem que digo "por enquanto" porque aprendi a abdicar de tanta coisa em função de uma vida estável (leia-se "mais cómoda"), que o abdicar já se tornou confortável para mim. Talbez esteja na altura de desabdicar. Ou não...

Acredito que tudo na vida é (ou deve ser) recíproco. Que, de alguma forma, o que damos aos outros (e não falo de bens materiais), nos deve, mais cedo ou mais tarde, ser devolvido. Não é por esperar nada em troca. É meramente uma questão de justiça do Universo para com quem dá. Quem dá, de bom grado, ajuda e sentimentos bons. E mesmo que não seja em vida, prefiro acreditar que, depois dela, na outra, hão-de estar coisas boas à minha espera. Ou coisas más, dependendo do que eu tiver feito.

Já que que falei em coisas más, sou incapaz de devolvê-las a alguém. Chamem-me tonto e palhaço à vontade. Mas não sou capaz. No máximo, afasto-me. É que odeio brigas e situações em que temha de estar "de mal" com alguém. Como, de uma maneira geral, as outras pessoas tendem a ter mais amor próprio do que eu, penso: "eu é que devo estar mal". E quem está mal, muda-se. É simples.

Parte do coração e do senso de justiça das pessoas se devem retribuir o que os outros lhes dão. Mas também acho que se deve retribuir de boa vontade e quando acha que se deve. Fazer fretes é que não! E quando a outra pessoa é minimamente inteligente, nota. E sente-se insultada e enganada. Quase que se pode aplicar aos sentimentos a velha máxima das dádivas de bens materiais: "Cada um dá o que tem e a mais não é obrigado". Coloco ênfase no "o que tem". Quando não tem, não dá. Não é obrigado. Mas mandam as regras da boa educação e da convivência sã que se diga "não tenho. Não tenho para te dar". Assim o ciclo de reciprocidade fecha-se com naturalidade e sem sofrimentos tontos.

Perguntar-me-iam: mas porque é que dás tanta importância a essa treta da recirpocidade? A resposta é simples: é que TODA a gente gosta de receber coisas boas. Cria um equilíbrio sólido que nos dá a todos uma sensação de bem-estar e de estar bem com a vida. Faz-nos sentir que as situações e as pessoas valem a pena. E isso é tão bom!

Também me podem perguntar: mas vais deixar de dar se não for recíproco? Respondo: claro que não! Porque, se o que se procura na vida é equilíbrio, essa procura deve ser constante. Assim sendo, um dia há-de aparecer uma qualquer reciprocidade. E aí... estamos no Céu.

Na minha opinião recirpocidade é um dos combustíveis para viver, enfrentar situações e suportar limitações. Não é que de outra maneira, não se suportem. Fica é muito mais difícil.

Beijos & Abraços,

MP

quarta-feira, 19 de março de 2014

Do Pai

Pois. Tinha de ser. Hoje é Dia do Pai e aqui vou eu escrever sobre o Pai. Só peca por tardio este texto. Há muito que me apetece escrever sobre isto. Por todos os motivos e mais alguns.

Como devem calcular, sobre o meu Pai vou escrever por experiência. Sobre ser Pai... Bom, aí terá mesmo de ser por instinto ou por intuição. Outro remédio, por enquanto, não tenho.

A minha vivência com o meu Pai sempre me fez acreditar e gostar da Paternidade. Gostar genuinamente da relação entre um Pai e um Filho. Seja numa posição ou noutra. Tenho para mim que o Pai deve ser um super-herói. Mesmo depois de velhinho e com alguma limitação que possa vir a ter. Aos meus olhos foi, é e será sempre um super-herói. O meu Herói.

O Johnny Depp quando pegou no primeiro filho ao colo pela primeira vez, terá dito alguma coisa do género: "ah! Então é para isto que eu existo!". Não sei se será bem só para ser Pai que se existe. Mas, na minha opinião, nenhuma existência é plena sem se ser Pai. Sem participar na concepção e educação de uma ou mais crianças. E o meu Pai fê-lo. De forma exemplar. Três vezes. Ou seja, se mais nada lhe restar na vida, terá sempre a consciência que ajudou a conceber e a educar três pessoas. Com forças e fraquezas, com qualidades e defeitos. Mas, acima de tudo, gente boa. Sobre os meus Irmãos, asseguro-vos que são gente boa. Sobre mim, é deselegante estar a por-me medalhas de bom comportamento. Quem me conhece terá seguramente a sua opinião.

O meu Pai é um Homem bom. Foi disciplinador quando teve de ser, foi doce e incentivador quando teve de ser. E primou (e prima) pelo equilíbrio dos conselhos que dá. Pela facilidade que tem em dar tudo o que pode aos Filhos, ensinando-lhes ao mesmo tempo o valor do trabalho honesto e o orgulho que se deve ter em atingir objectivos. Sejam eles materiais ou não. E pela naturalidade com que nunca pediu nada em troca e que abdicou de muita coisa em favor da prole. O meu Pai é Grande. E quando ele for embora, asseguro-vos que o Mundo vai ficar muito mais pobre. Eu vou ficar muito mais pobre. Vai faltar-me um pedaço. Apetecia-me pedir-lhe que vivesse para sempre. Mas isso é o meu lado egoísta. Peço-lhe então que fique por cá enquanto puder. Porque isto sem ele não é a mesma coisa...

Confesso-vos que gostava de ser Pai. Acima de tudo e antes de tudo, pelo exemplo que tenho em casa. Bem sei que a minha vida (por motivos que, honestamente, são agora irrelevantes) não mo proporcionou. Tenho noção plena, pelos exemplos de casa e de Amigos meus que já o são, da responsabilidade e da entrega que são necessárias. Que são obrigatórias. A imagem que mais me ocorre quando penso em como gostaria de ser Pai é a de uma Criança (que não pediu para nascer) a dar-me um puxão nas calças e a pedir-me ou a queixar-se de alguma coisa. E tudo pára. Tudo tem de parar para lhe dar atenção. A atenção que ela pede, precisa e merece. Durante o tempo que for necessário. E tudo o que me apoquentar tem de ficar em stand-by. Porque o que ela precisa é de um super-herói. Não é de um homem normal. Sei que a vida muda quando somos Pais. Muda de um momento para o outro. E muda para sempre. Mas que mudança boa deve ser essa... :-)

Ao meu Pai agradeço-lhe por tudo o que fez e por tudo o que não fez. Agradeço-lhe desde já por tudo o que vai fazer. Por ser quem é. Por existir. E espero, com todo o meu coração, um dia poder ser metade do Homem que ele é. E espero, eventualmente, poder vir a ser metade do Pai que ele é. Se fosse só assim, os meus Filhos já seriam seguramente felizes.

Exemplos e outras pessoas que admiro em várias áreas, também as há. Como é óbvio. Mas exemplo de vida e de humanidade, só tenho dois: os meus Pais.

Beijos & Abraços,

MP

Nota final - penso que em Maio escrevo sobre a Mãe. :-)

quinta-feira, 13 de março de 2014

Do Medo

Tenho medo de muito pouca coisa. Quam me conhece sabe bem os medos que tenho. E tenho a certeza que percebem que não os vou divulgar aqui de forma concreta. Mas até posso falar neles de forma generalizada.

Para mim os medos são uma espécie de prisão. Da qual é urgente sair para ter-se uma vida plena. Reparem: não é necessariamente uma vida boa. Mas será seguramente plena. De erros, de falhanços, de vitórias, de alegrias, de tristezas. De algumas decisões certas e de outras erradas. Mas bem vivida. Vivida depressa e de forma afoita. Como quem espera ansiosamente o amanhã, mas vivendo plenamente o presente.

Medo pode também ser desculpa de mau pagador. De quem se esconde atrás desta palavra para evitar chatices. Mas isso não é medo. É fraqueza.

De uma forma geral posso dizer que tenho medo de coisas que não posso controlar. Medo de injustiças. Medo de pessoas genuinamente más. Mas de resto... de resto são muito poucas as coisas que me assustam.

Os medos não fazem de uma pessoa fraca. Podem no entanto ser fraquezas graves para quem quer viver. Admiro pessoas que ultrapassam medos. Devem ser mais premiadas do que a malta que ganha concursos ou se evidencia nesta ou naquela actividade. Aqui é importante não confundir medo com fobia. Fobia é uma condição mental que nos impede fisicamente de fazer algo. Isto é completamente diferente.

Assumam os medos que teem. Falem sobre eles com alguém que consideram de confiança. Dominem-nos. Façam deles plataforma de lançamento para ultrapassá-los. E, se não conseguirem, vivam com eles. Em harmonia com eles. Mas vivam. Por favor vivam! :-)

Beijos & Abraços,

MP

Do Acordar de Novo Com Uma Nova Primavera

Talvez por estarmos a uma semana de começar a Primavera, lembrei-me de escrever este texto. Ou então foi alguma inspiração que me trouxe até a estas linhas.

A Primavera faz-me sempre lembrar recomeços. Cíclicos, é certo. Mas recomeços. Tudo fica mais quentinho, mais colorido, mais harmonioso. É daquelas estações que dão alento a quem para elas acorda. O ouvir os passarinhos a cantar, o sentir um Sol morno na cara. Não é quente nem é frio. É bom. :-) Deixa rigores invernosos para trás e faz, se quisermos, a vida dar uma cambalhota preguiçosa e calma para a frente.

Gosto de olhar para a vida como uma sucessão de Primaveras pelas quais se espera serenamente. Assim sendo, todos os dias podem ser novas Primaveras, novos recomeços. Até podem ser recomeços em relação à mesma coisa. Mas feitos de forma diferente, mais sábia, mais calma, mais nós.

Outra noção que me lembra a Primavera é a de hibernação. Há seres que, de forma inteligente (ou não) não perdem tempo com estações rigorosas, cinzentas e frias. Enchem-se de nutrientes, vão dormir e esperam que passe. Não posso dizer que concorde com isso, embora não conheça particularmente as vicissitudes da vida de cada um. Eu gosto de fazer Primaveras todos os dias. Quero puxá-las para mim de forma constante. Por outro lado, também sei esperar que elas me tragam, quando quiserem, dias novos, dias bons, dias meus, dias nossos.

E aprecio, louvo e admiro quem acorda para uma nova Primavera todos os dias. Porque o Sol morno que sabe tão bem e do qual há pouco falava, pode ser um sorriso, um toque nos cabelos, um bom dia, um abraço ou um beijo. De forma gratuita e esquecendo convenções. Mas admiro igualmente quem tem a capacidade de acordar com uma nova Primavera depois de um Inverno rigoroso, duro e triste. Tendo hibernado ou não. É sinal que sobreviveu e encontrou motivos bons para esperar o canto dos passarinhos e a brisa suave que não magoa.

Quero que a minha vida seja assim. Não um mar de rosas. Mas uma sucessão constante de Primaveras, ainda que com uns Invernos pelo meio. 

Queiram isto para vocês. Queiram Primaveras. Sejam Primaveras de alguém. Vivam em Primaveras constantes. Primaverem-se. Desibernem-se. E sejam o Sol, a relva verde, as flores, a brisa e o canto dos passarinhos de alguém. Por vocês e pelos outros.

Se não resultar, paciência. Acreditem que é só momentâneo. A nova Primavera vem, sempre, amanhã.

Beijos & Abraços,

MP

quarta-feira, 12 de março de 2014

Da Dor

Este texto não se refere a dor física. Com essa lidamos, digo eu, melhor. Não quero de forma alguma menosprezar quem, por um motivo ou outro, sente dores físicas. Mas hoje escrevo sobre as outras dores...

Tenho para mim que uma boa forma de lidar com a Dor de Alma (ou de Coração) é, antes de tudo, aceitá-la e viver com ela de forma pacífica. Sem usá-la como desculpa para magoar os outros. Ser altruísta o suficiente para guardá-la, vivê-la, processá-la, tratá-la, apaziguá-la e depois torná-la numa espécie de arquivo morto na nossa cabeça.

É importante para mim não fugir àquelas dores que sei que são inevitáveis. Nota - não sou maluquinho: procurar dor não é viver. É ser masoquista. E gostar de dor, honestamente, não é para mim. Mas viver com ela, com a dor, com as dores, com a sequência de dores de forma pacífica e determinada é meio caminho andado para doer menos e espalhar pelo Mundo uma serenidade que só nos faz bem a nos e aos outros.

A dor não é uma desgraça. É algo que vem e vai. Às vezes demora mais a ir. Mas é assim. É presente e, em algumas alturas, constante. Olhem para ela como quem olha para as contas ou para os impostos: mais cedo ou mais tarde chateiam e temos mesmo de pagar.

Viver com dor constante e chatear-se com ela e consigo próprio não é viver. É sobreviver. É arrastar uma existência triste. Por outro lado, aceitá-la, domá-la e seguir em frente apesar dela, é normal. É normalizante. É apaziguador. Acreditem em mim que eu sei o que digo.

Um bom truque é exercitar os músculos da cara e colocar um sorriso. Andar com ele sempre. Tipo palhacinho. A diferença é que não estamos a ser palhacinhos para os outros. Estamos a sê-los para nós próprios. Como quem alegra festas de crianças, mas com um público mais restrito. Além disso, temos o bónus de, além de nos ajudarmos a nós próprios, também damos aos outros uma das melhores coisas que se podem ver: sorrisos.

Andei muito tempo (e às vezes ainda sofro desse mal) de cara fechada. Carrancudo. Como se isso me fosse proteger de seja o que for. Pois... mas não protege. Não traz nada de bom. Assim, defendo sempre o nariz vermelho e o sorriso aparvalhado. Porque eles ajudam quando a dor de alma quase se transforma em dor física.

A ideia aqui não é viver sem dor nem viver contra ela. É viver apesar dela. Com a ideia que ela vai passar. Até haver outra para aceitar, tratar e resolver.

Querem lidar com a dor? É fácil: sejam felizes. :-)

Beijos & Abraços.

terça-feira, 11 de março de 2014

Dos Anjos da Guarda

Agrada-me a figura dos Anjos da Guarda. Acho-os doces, desinteressados e emanadores de coisas boas. Além disso, transmitem-nos um conforto caloroso e doce que pode, muitas vezes, ser confundido com outras coisas. Coisas que não são. Ou que podem não ser. :-)

Olho para o Mundo como o conheço e fica cada vez mais difícil de acreditar em Anjos na verdadeira acepção da palavra: criaturas aladas, com auréola e vestidas de branco que olham por nós e que, não fazendo nada de visível, terreno ou especial, nos protegem de alguma forma.

Assim, tive de relativizar a coisa. E encontrar nos seres terrenos aqueles que se afiguram (pelo menos perante mim) como verdadeiros guardiões da minha alma e da minha felicidade. E, se são criaturas terrenas, também eu posso ser Anjo da Guarda. E fui. E sou. Às vezes e com algumas pessoas.

Acho que nada é mais doce e caloroso do que saber que alguém olha por nós (ainda que à distância) e só nos envia coisas boas, sentimentos bons. Que, mesmo sem chegar perto, não nos desejam mal, não nos fazem sofrer e que, como por magia, nos poem a mão por cima quando fazemos asneiras ou quando a Vida nos prega partidas que, por um qualquer barómetro do Universo, não merecemos. Esses são, aos meus olhos e no meu coração, os verdadeiros Anjos da Guarda. E a esses guardo no coração. Até morrer e sem reservas.

Há quem diga que a proximidade com um Anjo da Guarda o pode anular enquanto Anjo. Podem até ter razão. Os Humanos têm a tendência de estragar tudo o que lhes é próximo. Mas penso que a proximidade das coisas e pessoas boas é bem-vinda. Mesmo que para isso tenham de existir barreiras relativas e ponderadas que evitem a destruição de seja o que for. Acredito mesmo nisto e não abdico desta crença.

E vou mais longe: para que alguém possa tocar o seu Anjo da Guarda sem destruir seja o que for, esse alguém também precisa de ser algo parecido. Por esta lógica, o Mundo fica mais bonito, mais doce e muito mais agradável. Idealmente até nos devemos guardar um ao outro. Assim duplicam-se e devolvem-se sentimentos bons, boas ondas e convivências leais e descansadas. 

Mas, quando tudo o resto falha, ser Anjo de seja quem for é bom. Sem esperar nada em troca e estando atento. Não é tão divertido e cria uma noção de vazio e de alguma impotência. Mas mesmo assim faz-nos sentir vivos e de bem com a Vida.

Conselho: sejam (ou tentem ser) Anjos da Guarda de alguém. Sê-lo-ão quando fizerem uma Criança feliz, quando forem companhia para quem está só, quando ajudarem quem precisa, quando fizerem uma festa a um animal... Há tantas formas de o fazer. Acreditem que é muito mais fácil fazer bem do que fazer mal. Digo eu.

Não digo que seja fácil. Mas com a prática chegamos lá de certeza.

A quem me estiver a guardar: agradeço do fundo do meu coração. E apareçam para vos dar um abraço. E prometo tentar não destruir nada. :-)

Beijos & Abraços.

MP

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Do Seguir em Frente

Aviso: este texto é um produto de escrita criativa. Qualquer semelhança com a realidade será pura coincidência.

"Olhava nos teus olhos e já não via a vontade e o entusiasmo dos primeiros dias, dos primieiros tempos. O ar embevecido de entrega e de quem gostava verdadeiramente da pessoa para quem estava a olhar. Já não via nas tuas mãos a vontade de me tocar sempre, a todas as horas. Não sentia na tua boca a vontade de andar colada à minha. Já não sentia no teu corpo a vontade de te fundires comigo a qualquer hora. Achava (queria achar) que eram fases, que eram dias. Porque há dias assim.

O meu coração queria pensar e a minha cabeça queria sentir. A confusão era chata e angustiante. Mantive-me fiel ao princípio e à esperança de que tudo seria construído com tempo e a seu tempo. Posso até ter querido coisas depressa de mais. Mas eu sou assim, estúpido e irracional em algumas alturas. São coisas que fazem parte de mim. E para mudá-las, tinha mesmo de valer a pena. Pode ser contrasenso em relação ao que hoje acredito e à tua necessidade de seres compreendida sem reservas. É que também eu tinha essa necessidade.

E adaptei-me. Bebi alguma consciência e adaptação na fonte do amor que sentia. Porque afinal, se não pudermos fazer feliz quem queremos para nós, não nos vai servir de nada ter feitio forte. De forma consciente (é certo) sabia que me estava a dobrar, a adaptar e a ser alguém que, no fundo, não era. Não me fez bem a mim, nem a ti. É que, por mais que goste (ou que se ame), depois ficam sempre dúvidas e queimaduras que mordem, que desgastam. E que apagam a essência de estar juntos. No fim acabamos por aprender a conviver e a não brigar. Mas não é bonito nem doce. É estável, rotineiro e chato que se farta.

Este é o raciocínio de um louco que não sabe o que quer. Mas que sabe o que não quer. Podíamos todos seguir os raciocínios das escritoras da moda e das revistas. Pensamentos que simplificam, que falam do "eu". E que não vão longe o suficiente para chegar ao "nós". Para chegar ao "nós" é preciso sentir por si. Acredito que se consiga viver uma vida calma seguindo estes mandamentos da treta. Mas não era a que queria para mim, para nós. Não me queria a ti enconstado. Queria-me em ti. Queria-te complicada e viva.

Sinto que seguiste em frente. Para onde? Ninguém sabe. Nem tu. E senti-o quando deixei de sentir, de ti, outras tantas coisas. Não sei o que vais ser. Se a amiga colorida de alguém que te fará passar bons momentos físicos e de gargalhadas fugazes. Ou se a Mulher plena e absoulta que eu sei que podes ser. Se fores paciente com quem de ti gosta. E se fores paciente, acima de tudo contigo. Não és um produto acabado. Ninguém é. Mas a matéria-prima é boa e só tu a podes moldar e transformar. Para teu bem e para bem do Mundo. Porque acredito que o Mundo é melhor contigo dentro.

Estas palavras são de quem te quer bem. E que deixou de ver nos teus olhos o entusiasmo dos primeiros dias..."

Parece-vos bem? :-)

Beijos & Abraços.

MP

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

Do Bolinha

Esclarecimento: não me enganei ao intitular este texto de "O Bolinha". É mesmo no masculino.

Há muitos anos conheci um bolinha. Andou na mesma turma que eu desde sempre.

Quando chegou à escola, não demorou a aperceber-se que era maior do que os outros meninos (e meninas) todos. Mas tudo bem. Não precisavam todos de ser do mesmo tamanho.

O bolinha era afectuoso, simpático e amigo de toda a gente. Abraçava os menos bolinhas e dava beijinhos em toda a gente. O bolinha era um querido.

Com o passar dos meses e dos anos, não demorou muito a que começassem a haver palavras mais duras para com o bolinha. "Larga-me gordo", "deixa-me gordo", "és gordo e feioso". Ele lá ficava triste e seguia em frente. Procurava afectos e toques e dava tudo o que tinha: os carrinhos que a Mãe lhe dava, a comida que levava e até fazia palhaçadas para os outros rirem. E os outros riam. O bolinha ficava feliz por fazer os outros rir. Não demorou foi muito a perceber que estava a ser gozado. Ficava triste. Mas ao menos gostava da atenção. E até gostava de cantar. E cantava para quem quisesse ouvir. Era o bolinha, gordo, desajeitado e feioso. Mas o bolinha era um querido.

Ao longo do tempo em que estivemos juntos fui-me apercebendo que o bolinha tinha alturas em que era menos bolinha. Ficava mais magrito. O que não o largava era a boa disposição e a vontade de alegrar os outros. Gostava de beijinhos e de atenção, o raio do bolinha. Nem toda a gente estava para os receber e para lhe dar a atenção que ele queria. Mas era um querido.

Depois o bolinha começou a namorar. E tinha sempre medo que as namoradas deixassem de gostar dele por ser bolinha. Tinha medo que o abandonassem. Tinha momentos de ansiedade em que queria tudo ao mesmo tempo. Em que queria que o tempo parasse nos momentos bons para saborear de forma duradoura a aceitação, o carinho e a atenção. E o bolinha era um querido.

Havia grupos giros que se criavam na escola. Mas não deixavam o bolinha entrar. Quando se jogava à bola, ou se escolhia equipas para um qualquer desporto ele era o último a ser escolhido. E mesmo assim, era o guarda-redes. Porque, com esse tamanho, a probabilidade de a bola lhe acertar e não entrar na baliza, era maior. E ele levava pancada ou era insultado quando deixava a bola entrar. E ele pedia desculpa e tentava sempre impressionar e fazer melhor. Que remédio! Ele era um querido.

Apercebeu-se que não era com a actividade física que ia chegar fosse onde fosse. Qua não ia ser alguém por ser bonito. Ia estudar e ser bom aluno. E era. Mas até isso parecia irritar as pessoas que o rodeavam. "Sim. Podes ter grandes notas. Mas, além de gordo, és cromo". E ele era sempre um querido.

Então apercebeu-se que sabia cantar e tinha uma voz porreira. Pensou ele: ora aqui está uma forma de impressionar a malta e de ser aceite. Trabalho que se fartou, melhorou o dom que tinha e tentou de todas as formas chegar ao coração das pessoas e ser aceite. Mas, apesar do talento, havia sempre outros que, mesmo sendo piores, eram menos bolinhas. Por ser um querido, ajudou toda a gente, mesmo prejudicando-se aqui e ali. Trabalhou de borla e levantou-se a meio da noite para ir ajudar alguém. Para ser aceite, para ser gostado, para se integrar.

O bolinha cresceu, trabalhou, deu atenção e carinho a quem merecia e a quem não merecia. Mas agora já era inseguro e desconfiado. Pudera! Depois de tanta tentativa sem conseguir o que queria, tentava proteger-se esperando sempre o pior dos outros. E o que viesse de bom, era lucro. Criou um certo mau feitio. Mas era, sempre, um querido para toda a gente.

Ainda hoje o bolinha desvia-se do seu caminho para fazer os outros mais felizes. Tem atenções com as pessoas que muito pouca gente tem. Entrega-se, dá-se e faz trinta por uma linha para agradar, numa esperança secreta que, um dia lhe agradem. Que tenham gosto em agradar-lhe. Que haja alguém que, um dia, viva para ele, o ame para sempre e não o abandone. Que, fazendo alguém feliz, possa também ser feliz. Apesar de ser bolinha, de ser desconfiado e meio inseguro. Porque ele é, essencialmente, um querido.

Ainda há dias estive com ele. Está menos bolinha e trabalha que se farta. É um gajo porreiro, um bom Homem. Ainda lhe perguntei: "Oh rapaz, já não está na altura de pensares mais em ti e de te teres em melhor conta?". Dizia-me ele: "Sim. Mas sabes como é: gosto de gostar das pessoas, de sorrisos, de palmas, de calma, de atenção e de coisas boas. E agora, como já fica mais difícil mudar, vou ser assim, sempre". E passou anos a ajudar, a dar, e a ser... para os outros.

Fiquei orgulhoso do agora menos bolinha. Porque se todos fôssemos um bocadinho mais como ele, a Vida seria, seguramente, melhor.

Ao vê-lo ir embora fiquei apenas com um ligeiro aperto no peito. Porque algo me diz que ele vai "morrer na praia" muitas vezes na vida. Vai chegar em segundo, em terceiro ou em último. E mesmo assim não me falou mal de ninguém. Não tem mágoas nem arrependimentos. E continua um querido. Um Amor de pessoa. :-)

Beijos & Abraços,

MP


quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Da Disciplina

Sempre fui um rapaz disciplinado, mas só para as coisas que quero. :-) Profissionalmente tento todos os dias que o meu trabalho seja irrepreensível e, por força da profissão que tenho, que o reconhecimento das pessoas seja notório e presente.

No que diz respeito ao resto (saúde, hábitos, arrumação) já não foi sempre bem assim. A minha tendência para me dedicar ao que faço sempre se sobrepôs à vontade de me dedicar ao que sou. Deixem-me que cos diga, caríssimos, que este é, para mim, um erro crasso.

A Vida precisa de ter, na minha opinião, uma disciplina constante e sempre presente. Não falo em casos extremos de transtornos obsessivos-compulsivos que fazem com que a disciplina seja uma doença. Falo de uma disciplina consciente (e doseada) que, mais cedo ou mais tarde, nos vai trazer coisas boas e resultados bons.

Tenho para mim que a disciplina deve ser proporcional à vontade que temos de nos reconstruir. De, durante algum tempo, ter de se obrigar a fazer algumas coisas para que estas depois se tornem um hábito saudável que nos faça levar a Vida sem que as obrigações mais simples sejam um fardo. Ou seja: passam a fazer parte do mais quotidiano e normal da nossa existência e fazem-se de forma normal e quase automática.

Porque o resto das nossas Vidas é que vale a pena! As coisas que aparecem de repente, as incógnitas, as lutas, as relações, os projectos novos e a ausência de medo de, por falta de disciplina em excesso, nos podermos esbardalhar ao comprido. A aprendizagem constante é, para mim, isso mesmo. Uma sucessão de quedas e de recuperações que, para o bem e para o mal, constroem aquilo que somos.

Li em algum sítio que se repetirmos a mesma acção todos os dias durante 3 semanas, ela passa a ser um hábito. Isto aplica-se, naturalmente, às coisas boas e às coisas más. Assim, pode levar apenas três semanas a criar hábitos de alimentação saudável, a criar gosto pelo exercício físico ou a saber que a roupa deve guardar-se todos os dias. Depois já é automático. E o nosso corpo e mente agradecem. Porque têm muito para fazer. Mas a energia necessária para viver, fica guardada para outras coisas que, essas sim, não podem (nem devem) ser automáticas. Devem ser vividas intensamente.

Mas deixem-me também ser-vos claro numa coisa: se vos apetecer mandar a disciplina para um sítio feio e deitarem-se à desgraça de vez em quando, façam-no. E as opiniões dos outros são apenas isso mesmo: opiniões.

Nestas coisas penso que já ando um bocado com Descartes: não quero (nem vou) ensinar nada a ninguém. Falo-vos apenas do que resulta comigo. :-)

Beijos & Abraços.

MP

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Das Relações Entre as Pessoas

Devo avisar que, provavelmente, serei um desastre a falar sobre relações. Assim, apesar de gostar de fórmulas para tudo, confesso desde já que este texto é mais uma reflexão para por ideias em ordem do que outra coisa qualquer.

As relações veem cheias de incógnitas. Quando não se conhece bem a outra pessoa, procuramos, com a convivência, saber mais sobre ela. Não por coscuvilhice. Mas por interesse e vontade de construir coisas. Sim, porque depois saber se alguém vale a pena, a decisão de começar a construir é natural e quase imediata.. Se eventualmente chegarmos à conclusão que não vale a pena, andar a dar socos em pontas de faca, além de doloroso, é chato e não leva a lado nenhum. Como já disse num qualquer texto anterior, a desistência consciente é uma virtude para não magoarmos ninguém e para não nos magoarmos a nós.

Posso apenas falar de mim. Um rapazinho estranho, assim a puxar para o anormal e cheio de pancadas tontas, que roçam o mau feitio. Posto isto, quando gosto, gosto mesmo. E aturo coisas que não lembram ao diabo (quem me conhece, sabe do que estou a falar). Em troca quero (e não abdico) do mesmo aturar paciente que, havendo sentimentos bons, tem mesmo de existir.

Se me pedissem uma fórmila que agradasse a toda a gente, falar-vos-ia de três coisas: respeito, paciência e amor. Não em doses infinitas. Mas em quantidades industriais. Porque está sempre subjacente a ideia de construção. Se a vossa ideia é levar a vida sem chatices nem obrigações, então arranjem outra forma de relacionar-se com as pessoas. Tenham Amigos coloridos, só Amigos ou então andem szinhos pela vida até verem o que ela vos traz. Porque ter Amigos coloridos, só Amigos ou andar sozinho não tem mal nenhum. É uma questão de opção, de timing e daquilo que achamos que é melhor para nós. Porque assim, a Vida encarrega-se de trazer coisas boas às pessoas boas. Não me canso de dizer isto.

O grande "problema" das relações entre duas pessoas é esse mesmo: é que são duas pessoas. Com cabeças e corações diferentes. E com feitios diferentes. E dificuldade é esta: quanto mais diferentes são, mais tolerância tem de haver. Mais temos de nos apoiar no motor que, para mim, faz a vida andar para a frente: o Amor. Sem ele, demos as voltas que dermos, nada faz sentido: as relações não fazem sentido, as esperanças não fazem sentido e os planos não fazem sentido. Devo confessar que, hoje em dia, acredito na calma e nos baby-steps: andar muito devagarinho para não fazer asneiras. Mas, por vezes, o nosso lado irracional leva-nos a querer as coisas demsaiado depressa.

Mas por mim, até gosto de me adaptar. De ouvir as reclamações de quem, um dia, estiver comigo. E de procurar resolvê-las e satisfazê-las o melhor possível. Naturalmente sem me anular nem pôr em causa os meus princípios. Os meus princípios até se foram reduzindo, com a idade, a meia dúzia. Mas tenho uma dificuldade extrema em lidar com maldade, frieza e crueldade. Temos naturalemnte de perceber que toda a gente tem momentos assim. Em que perde as estribeiras. Nessas alturas sou adepto de conversa. Conversa franca e aberta, que não magoe. Para resolver. Para construir. Para pedir desculpa e seguir em frente, tendo sempre como base o Amor que se sente.

Acho que, quando duas pessoas encaixam, encaixam mesmo. A todos os níveis. E, passada uma fase inicial das brigas todos os dias, dos gritos e das asneiras, veem normalmente coisas boas. É preciso é passar essa fase, com paciência e com muito carinho.

Acho sinceramente que o Amor não se constrói. Aparece de repente e tende a ficar. Mas tudo o resto? Ui ui. Tudo o resto é uma construção constante, de bases, de fundações, de paredes sólidas e de telhados bons e resistentes.

Sabem que mais? Viva o Amor!

Beijos & Abraços,

MP

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Dos Recomeços

Os recomeços são tramados. Quer dizer: às vezes podem apresentar uma perspectiva de um futuro incerto mas apetecível. Um leque de oportunidades de construção de coisas boas. Uma espécie de livro no qual podemos escrever à vontade, sem ter que ter em conta capítulos anteriores.

Mas o tempo inerente a qualquer recomeço tem fases. Não é possível apressá-lo. Não é possível, por mais que se queira, andar com os ponteiros do relógio para a frente ou acordar de repente uns meses mais tarde. A vida, apesar de ser uma coisa boa e apetecível (continuo sempre a dizer isto), não nos deixa ir com muita sede ao pote, sem que se tropece no caminho, ou o pote se parta, ou, pura e simplesmente, não tenha água dentro.

A existência de memória(s) no nosso cérebro não nos deixa apagar o que está para trás. Não conseguimos apagar memórias, hábitos nem maneiras de ser. Sobrevivemos a isso tudo. Mas, acima de tudo, sobrevivemos COM isso tudo.

A procura de conforto e de coisas sólidas no início de um recomeço normalmente dá asneira. Ou por culpa nossa, ou por culpa dos outros. Mas, invariavelmente, dá asneira. É próprio dos seres humanos procurarem saídas fáceis, calorosas e doces. Era lindo que houvesse um botão que fizesse "restart". E que, de um momento para o outro, tudo ficasse bem e fresquinho.

Então como é que se fazem recomeços? Não há fórmula. Não há resposta fácil nem transversal. Mas a ideia base deve ser sempre: tudo se faz. O truque é disciplinar-se e confiar em nós e no tempo. Saber o que se quer é, digo eu, fácil. O mais difícil é saber, assumir e viver com o que não se quer. Impor a nós próprios limites e regras do que não fazer. Criar mecanismos para não ceder. E... ir vivendo.

Deve ter-se, acima de rudo, cuidado. Cuidado consigo e muito cuidado com os outros. Para não causar danos a si próprio nem às outras pessoas. E entender que recomeçar implica ter terminado o que veio imediatamente antes. De forma limpa e inequívoca. Para os outros e para nós. Temham em atenção que "terminar" não é apenas colocar um ponto final. É, acima de tudo, resolver. Resolver bem e de forma definitiva.

No caso das relações entre pessoas deve aprender-se (primeiro) a estar só. Depois é preciso gostar de estar só. Ou que a solidão nos seja indiferente. Viver para nós e por nós. Só aí, quando tudo nos parece normal e (de alguma forma) indiferente, é que podemos começar a considerar novas hipóteses. Por mais tentações fáceis e confortáveis que vos apareçam, acreditem que este é o melhor caminho. Para o bem ou para o mal.

Recomeçar de forma digna e séria não é para todos. É para pessoas sérias e bem-formadas.

Beijos & Abraços,

MP

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Das Cartas de Amor II

Ora aqui vai mais um texto que podia ser uma carta de amor. Mas não é. 

Continuo a achar que não tenho muito jeito para a coisa. Mas um dia pode ser que tenha alguma utilidade. Nem que seja para colar na porta do frigorífico. :-)

"Meu Amor,

Sei que dificilmente seremos um do outro. A Vida trouxe-nos coisas boas e coisas más. E à primeira vista é mais o que nos separa do que o que nos une. As nossas pancadas e limitações são próprias de quem já sentiu na pele os espinhos do mar de rosas que é a Vida.

Os avanços e recuos dos quais vamos inevitavelmente sofrer, fazem parte de pessoas como nós. Magoam e ferem como espinhos aguçados. As tentativas constantes de separação (por sentirmos que é o melhor a fazer) trazem-nos uma tristeza latente e um medo de novas mágoas. Há coisas que, depois de entranhadas, são difíceis de sair. Às vezes parece-me impossível que saiam mesmo.

Os momentos maus são de angústia e de um sofrimento calado, próprio de quem não se quer expor, de quem não se quer por a jeito para desilusões. De quem não quer dar o braço a torcer. De quem procura no outro provas constantes de Amor, de Carinho duradouro. De quem procura o aconchego de um coração que sente que lhe pertence. Era tão bom que nos pudéssemos mudar para o coração um do outro. Que pudéssemos deitar a chave fora, sem medo de sermos despejados. De ficarmos na rua, sem calor, sem afectos... sem nada. Esta era uma aventura que vivia contigo se sentisse que somos constantes, que somos unidos contra todos. Que somos um.

E os momentos bons? Ai os momentos bons... Esses são doces, quentes e confortáveis. O teu beijo, o teu sorriso, as tuas palavras carinhosas aquecem o coração de quem as ouve. O teu toque e o teu cheiro são como uma brisa suave constante que não é quente nem é fria. Mas que alimenta e areja a vida, o coração e a alma. Gostava que fossem todos assim. Mas depois há o Mundo e as vivências. E aí tudo cai. E temos mesmo de entrar em modo de sobrevivência e de auto-preservação. Não nos censuro por isso. Afinal somos pessoas. Somos humanos. E estamos longe de ser perfeitos.

As nossas imperfeições são como mossas a precisar de restauro. De um restauro que só muito Amor pode fazer. Nào basta lambermos as nossas feridas. Temos de poder e querer lamber a feridas um do outro. E cuidá-las e tratá-las com carinho.

Sei que é difícil. Ninguém nunca nos disse que ia ser fácil. Se que dificilmente teremos um final feliz. Mas, até chegar esse final, vou amar-te. De perto, de longe, em silêncio ou abertamente. E se não formos um para o outro, que sejamos para outro alguém. E que esse alguém seja menos difícil. Que essa história se conte de forma mais leve e em menos actos.

Até lá, o meu coração está perto do teu.

Porque te amo."

Beijos & Abraços,

MP

domingo, 19 de janeiro de 2014

Da Confiança

Este é um assunto sobre o qual me custa um bocado escrever. Mas, nem que seja por uma questão de mera catarse, aqui fica.

Devo dizer que só confio a 100% numa pessoa. Não vou cometer a deselegância de vos dizer quem é. Com isto não quero dizer que não confio em mais pessoas. É claro que confio. Mas será sempre numa percentagem inferior. Que pode ir dos 0 aos 90%. E tudo depende de há quanto tempo a conheço e do historial que temos.

Ganhar a minha confiança é extremamente difícil. E aqui não falo de coisas corriqueiras. Para estas coisas até sou demasiado confiante e crente nas pessoas que me rodeiam. Mas no que diz respeito a assuntos mais profundos e importantes... aí é que são elas. Não sei bem porquê. Há quem diga que seja insegurança. Eu acho que é resultado de vivências menos boas e, em alguns casos, mais dolorosas.

A verdade é que a ausência de confiança absoluta em alguém nos traz uma espécie de almofada onde podemos cair quando, de uma forma ou de outra, nos traem. Porque, de qualquer forma, é como se já estivéssemos à espera. :) Poucas coisas me abalam tanto como quando descubro que me trairam a confiança. E a partir daí nada é igual. Pode até ser parecido. Mas igual não é. Porque eu perdoo tudo. Mas não me esqueço de rigorosamente nada.

A construção da confiança entre duas pessoas deve, para mim, basear-se em duas coisas: palavras sentidas e fequenetes e actos que nos façam acreditar que podemos pôr a nossa Vida nas mãos daquela pessoa. Que, aconteça o que acontecer, ela não nos deixa cair. Penso que não há sensação tão confortável e calorosa como essa.

E penso que num período de construção de confiança devemos ter cuidado com as promessas que fazemos. Com as planos que partilhamos em momentos de euforia e de felicidade extrema. É que a euforia e a felicidade extremas são normalmente fugazes. E, depois, quando passam, deixam em quem as fez uma sensação desconfortável de "agora tenho de viver com as promessas que fiz". E deixam em quem as ouviu uma sensação calorosa e expectante que, depois, pode eventualmente trazer desilusões. E com desilusões não se constrói confiança. Para mim funciona exactamente ao contrário.

Acho que não devemos querer confiar em alguém. Devemos, isso sim, deixar que a confiança se construa baseada em vivências em comum. E em provas, ainda que inconscientes, do merecimento dessa mesma confiança. Aí até colocamos a nossa vida, o nosso coração e a nossa reputação nas mãos da outra pessoa. Para o que der e vier. E até um dia.

Sou da opinião que conviver com faltas de confiança é incómodo. Mas pode também ser fácil porque tem sempre solução. Depende do que sentimos pelas pessoas. E do que, por causa desse sentimento, estamos dispostos a aturar. Considero cruel deixar alguém que gosta de mim num estado de desconfiança prolongado. Se desconfia e tem a frontalidade de mo dizer, devo assegurá-la de que não tem motivos para isso. Ou então ser honesto e dizer que afinal tem razão em desconfiar.

Feitas as contas a tudo isto, a falta de confiança no outro e a insegurança andam de mãos dadas. E construir confiança muitas vezes passa por ter paciência e afagar o coração de quem, por ser inseguro, não confia. Assim, se a pessoa vale a pena, estaremos a investir numa coisa que pode mesmo ser muito boa.

E quando assim é, as desconfianças ficam para trás, a insegurança desvanece-se e toda a gente ganha. 

Beijos & Abraços,

MP

terça-feira, 7 de janeiro de 2014

Das Desistências

Ter facilidade em desistir é próprio de quem gosta de coisas fáceis. De quem não tem força ou não quer lutar. De quem acha que aquele objectivo, perante alguma dificuldade, não vale a pena.

Acho que uma boa base de decisão para quem quer saber se deve desistir ou não é saber se o objectivo é válido. Se vale mesmo a pena. Aqui pode pensar-se ou sentir-se. A cabeça ou o coração (dependendo do objectivo) devem ser ajudar-nos a decidir se queremos chegar aonde (ou a quem) queremos e, depois, ficar lá e gozar os frutos do que trabalhámos para ter. Para mim, esta não é uma decisão que se tome de ânimo leve. Não me basta decidir um belo dia que quero comprar um BMW e depois obcecar-me com a compra do carro. Não basta decidir hoje que quero alguém para mim e passar a persegui-la. Não confundam objectivos de vida com conquistas fugazes.

Quero com isto dizer que ter um objectivo deve ser uma coisa duradoura. Algo que fica connosco à medida que os dias passam. E que, de forma saudável, nos motiva a trabalhar a a levantar-se da cama. Quando assim é, desistir é um erro.

Desistir do que (ou de quem quero) não é para mim. Dentro das regras da convivência sã e sem tornar-me chato ou contra-producente, luto. Luto quando acho que vale a pena. E não desisto facilmente. Até saber de forma inequívoca que, por mais que eu queira, não chego lá. Aí há que retirar-se graciosamente e seguir em frente.

Faz-me impressão quem desiste porque é difícil. Quem desiste porque tem mau feitio. Quem desiste porque acha que tudo lhe deve vir bater às mãos sem esforço. Esta, meus amigos, é a essência de se achar melhor que os outros. E com isto eu não convivo.

Por outro lado, saber quando desistir também é uma virtude. Ser contrariado, maltratado, ignorado, desrespeitado e travado de forma constante é um sinal de que está na hora de ir embora. De, educadamente e sem brigas tontas, retirar-se. Porque a linha entre uma pessoa persistente e um palhacinho inconveniente é muito ténue. E então resolve-se. A bem da nossa saúde mental e das mais elementares regras de convivência.

Mas de qualquer forma e durante algum tempo vai ficar sempre a dúvida: quem é que ficou a perder? E isso amiguinhos é uma reflexão que pode embrulhar até as mentes mais seguras e os piores feitios.

Beijos & Abraços,

MP

sábado, 4 de janeiro de 2014

Das Cartas de Amor I

Nunca fui de escrever cartas de Amor. Acho que não tenho jeito. Mas resolvi fazer umas incursões nesta área.

Esta podia ser uma carta de amor. Mas não é. :)

"Meu Amor,

De ti não espero nada. 

Não espero que me dês a mão. Não espero que me faças café de manhã. Não espero que fiques comigo até o meu Sol se pôr. Não espero que todos os dias me digas que me amas, que me adoras e que me queres. Não espero que me acendas um cigarro quando me apetecer fumar. Não espero que cozinhes para mim. Não espero que me esperes acordada. Não espero que me digas que tens saudades minhas e que, longe de mim, te sentes incompleta.

Não espero que me digas que queres ver o Sol nascer a meu lado todos os dias. Não espero que me digas que sou a tua vida. Não espero que me ouças tocar e cantar com um ar embevecido e que adores ouvir-me todos os dias. Não espero que queiras tomar conta de mim, que queiras cuidar de mim ou ouvir os meus dramas quando estou num dia mau. Não espero que atures as minhas birras e os meus ataques de ciúme. Não espero que vivas para mim e por mim.

Não posso esperar que me leias os pensamentos. Nem que me lembres todos os dias como sou importante para ti. Não posso esperar Amor incondicional e constante, como se de oxigénio se tratasse. Não espero que vivas tudo tão intensamente como eu. Não espero que, como um rochedo, enfrentes tudo e todos por minha causa. Não posso esperar que eu diga "mata" e tu digas "esfola". Não espero convencer-te com raciocínios lógicos. Não espero ques ejas minha cúmplice em tudo. E não espero juras de Amor eterno.

Não espero nada de ti.

Mas quero tudo. Porque podes esperar tudo de mim.

Porque te amo."

Beijos & Abraços,

MP

sábado, 28 de dezembro de 2013

Da Paciência (e Do Pôr-se a Jeito)

Tenho a ideia que a paciência é uma virtude. Mas também é uma virtude ter-se alguma ponderação. Tanto na paciência que se tem como na que se espera dos outros.

Devo confessar que já fui menos paciente do que sou hoje. O "sangue na guelra" leva-nos a ter reacções que pecam por ser pouco pacientes. E até se corre o risco de ser mal-educado. Mas, como tudo, a Vida ensina-nos que a paciência é uma coisa boa. Que devemos ser pacientes, nem que seja por uma questão de auto-preservação. E, quanto mais gostarmos de alguém, mais paciência se deve ter. Aliás, gostar muito de alguém (ou de alguma coisa) obriga-nos a ser pacientes. Acho que deve ser uma obrigação consciente e quase voluntária. Mas tem mesmo de existir.

Por outro lado, o excesso de paciência pode anular personalidades. E, mais uma vez, a Vida ensinou-me que ser demasiado paciente pode facilmente confundir-se com ser permissivo. E submisso a todos os caprichos e vontades dos outros. E o equilíbrio aqui é, novamente, a solução.

Perder a paciência não é necessariamente mau. É Humano. Perdê-la constantemente é ter mau feitio. Por ser demasiado paciente, pus-me a jeito para, em algumas alturas, ser mal-tratado e desrespeitado. E posso ter passado a algumas pessoas a ideia de ser fraco. De que podiam comtar sempre com a minha compreensão porque até sou um gajo porreiro. Nessas alturas tive de me "sacudir". E dei a ideia de ser egoísta e mal-educado. Se alguém tem essa ideia, lamento. Mas devem pensar 38 vezes no que, por uma razão ou por outra, uma pessoa paciente aguenta até ter uma reacção mais abrupta. E para conseguir fazer isto só há uma solução: acalmar-se e pôr-se no lugar dos outros. Verão que tudo fica mais claro. Mas esta capacidade não é para todos. E à falta desta capacidade chama-se egoísmo. Nos casos piores chama-se mesmo egocentrismo.

Assim sendo, sejam pacientes com as pessoas de quem gostam. Ou quando acharem que devem de ser. Mas não se ponham a jeito para sofrimentos tontos. Porque se se puserem a jeito, a culpa não é dos outros. É única e exclusivamente vossa.

Beijos & Abraços,

MP

Dos Insultos À Inteligência

O meu Pai diz sempre que devemos pensar que os outros são, pelo menos, tão inteligentes como nós. E ele tem razão. Assim não corremos o risco de insultar a inteligência de ninguém. :)

Os insultos gratuitos ou justificados (mas verbalizados) são o que são. Ou se responde, ou se releva. Mas são mais ou menos fáceis de lidar. Em última análise, o tempo encarrega-se de resolvê-los. Acabamos mesmo por perdoar e, eventualmente, esquecer.

Mas os insultos à inteligência... ai ai! Isso é que não. Sejam por actos, omissões, pensamentos, palavras vãs ou através de raciocínios parolos que tentam convencer os outros das coisas mais absurdas. Isto ofende e aborrece qualquer ser minimamente inteligente e consciente. Esclarecimento: não tenho a pretensão de ser mais ou menos inteligente do que ninguém. Tenho a minha inteligência. Que é minha. E é, como tudo, relativa.

Poucas coisas me irritam mesmo a sério. Mas esta é, definitivamente, uma delas. Irrita-me que tenham a pretensão de dar-me a volta. E, mesmo quando me dão a volta, fiquem a saber que eu apercebo-me. E às vezes até me deixo levar. Mas conscientemente. Que disso não haja dúvida!

Aqui colocam-se duas situações. Há seres que nos insultam a inteligência de forma consciente. Esses, para mim, não valem a água que bebem e são um esperdício de oxigénio. Outros há que, por confusão, incoerência ou pura falta de consciência, o fazem de forma inconsciente. Com esses tendo a ter alguma paciência. Até o dia em que, como qualquer ser Humano, me farto. E aí não há volta a dar. Não sou de vinganças tontas nem de perder muito tempo a pensar como vou prejudicar alguém. Mas, perante insultos constantes à minha inteligência, decido manter as coisas a um nível mais superficial. E, sobretudo, a não ter expectativas de espécie alguma.

Sentir-me palhaço não é bem a minha praia. O nariz vermelho e os sapatos grandes são para serem usados por profissionais que exercem bem essa arte. Mas eu, apesar de gostar imenso de rir de de dizer piadas, não tenho mesmo vocação para tal. Se ainda for para ser voluntário da operção "Nariz Vermelho" contem comigo. Mas para abusarem da minha boa-vontade, por favor dsenganem-se.

Não faço mal a ninguém e tenho sempre muito cuidado para não insultar a inteligência dos outros. Peço encarecidamente que tenham a mesma cortesia para comigo.

Beijos & Abraços.

MP